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domingo, 18 de agosto de 2013

Os Mortos Vivos - Peter Straub

Fico por aqui, escrevendo de livros, falando sobre histórias e autores que gosto, os gêneros preferidos, e deixei passar o seguinte:
Você sabe qual é o melhor livro de terror/horror de todos os tempos? (sim, o blog é meu, é minha opinião)
Bom, se a turminha feliz aí achar que vou nomear um King, errou rude. Os dois livros mais assustadores de King são Casa Negra e O Iluminado, mas o melhor livro de terror de todos os tempos é do cara que escreveu Casa Negra e O Talismã com King.
Estamos falando de Os Mortos Vivos (Ghost Story) e de Peter Straub.
Já senti medo de alguns livros na vida, aliás, um que eu nem lia quando estava sozinha – O Exorcista – mas esse livro de Straub é de arrepiar os cabelos da nuca. De arrepiar os pelos dos dedos dos pés. MEDO!
Os Mortos Vivos é sobre um grupo de velhor amigos (velhos velhos) que se reúnem as vezes para contar fatos mal assombrados. Alguém pergunta: “qual a pior coisa que você já fez?” e alguém responde “eu não vou dizer qual foi a pior coisa que já fiz, mas vou lhe dizer a pior coisa que me aconteceu”.
G-E-N-I-A-L.
Esses quatro velhos não precisam compartilhar a pior coisa que já fizeram, por que a fizeram juntos.
Eles moram em uma pequena cidade em Nova York e tem um segredo que os une. E esse segredo da juventude está de volta pra se vingar.
O interessante nesse livro é a maneira como Peter Straub vai crescendo a história. Começa em um ritmo lento (que dá um desânimo) e logo depois das primeiras 30 páginas vira um inferno sangrento. A trama vai se desenrolando de uma maneira que você nunca sabe qual vai ser a próxima evolução. E há o medo.
O que posso falar sobre o medo é que ele é palpável. Ele é verdadeiro porque os elementos que começam a provocar o medo não são sobrenaturais. E quando evoluem pra isso, velho, você treme.
Há uma coisa muito legal no livro, que é a mutilação de animais. Vira e mexe alguém tenta utilizar isso em livros de horror, e nisso, Straub foi mestre.
É uma leitura que recomendo a todos, sempre.

Qual foi a pior coisa que você já fez?


PS: A capa acima é a que eu tenho, uma brochura com papel jornal que se acha por preço de banana em sebos.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Uma Questão de Segundos - Harlan Coben



Acabei de ler “Uma questão de segundos”.
Livro enxutíssimo, não é tão com quanto o primeiro livro estrelado por Mickey Bolivar, mas ainda assim é muito bacana.
Você começa ler o livro e de repente percebe que está apenas continuando exatamente no dia depois do primeiro livro (Refúgio) terminar. E tipo, eu nunca vi alguém atrair tantos problemas quanto Mickey.
Podemos ver que o fruto de muitos dos problemas que Mickey enfrenta tem relação com o misterioso grupo Abeona. A velha senhora Morcega é, aparentemente, a fundadora desse grupo do qual o pai de Mickey participava e que tem por objetivo salvar as crianças de maus tratos.
Rachel, a gostosa da classe e parte menos ativa do grupo de amigos de Mickey é uma ajudante do grupo, desde o primeiro livro. Ainda não consegui entender como eles recrutaram uma menina de menos de 15 anos para o grupo, mas ainda não consegui entender um monte de coisas que acontecem naquela vizinhança.
Enfim, conseguimos neste romance ter uma ideia muito melhor de quem é Colherada (meu personagem favorito). O desenvolvimento dos personagens é digno de nota, já que agora Coben se dedicou muito mais à isso. Temos até uma “Rede dos Zeladores”! Adoro as nomenclaturas que Colherada dá às coisas de que gosta.
Quanto a Ema, foi-nos revelada a identidade de sua mãe e metade do mistérios por trás de sua família. Ainda não sabemos quem é o pai, e estou curiosa para saber, já que creio que isso terá relação com a próxima trama de Mickey. Até os personagens secundários estão um pouquinho mais aparentes aqui, como os valentões/idiotas da escola.
Gostei bastante da relação de Myron com o sobrinho, começando a se desenvolver e como ele está conseguindo levar as coisas com um pouco menos de obaoba.
No geral, a trama do primeiro livro foi bem melhor, mas acredito que o próximo pode vir a ser ainda melhor, já que no final desse romance sabemos que Myron conseguiu a exumação do corpo do pai de Mickey.
Esses livros estão parecendo muito mais uma série de TV. Aguardando o próximo, espere que não demore!


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Refúgio - Harlan Coben

Um tio bobão pra um sobrinho mais bobão ainda?
Li Refúgio.
Amei.
Na verdade, li três livros do Coben em três dias e depois disso, parei de ler por algum tempo, porque nada se compara ao ritmo que encontro nos livros desse cara.
Esses dias li um resenha aqui mesmo no blog, que fiz sobre Coben e minha opinião não muda: ritmo, ritmo, ritmo. É isso que faz desse escritor um Best!
Uma das coisas que ouvi sobre escrever um romance que as pessoas querem ler fala justamente da construção do personagem. O personagem tem que causar simpatia no publico.
Essa estratégia que Coben usa, de fazer o Myron conversar com o leitor, é muito legal.
As piadas são ruins pra caramba...mas quem se importa? Elas continuam engraçadas.
Amar Myron significa amar Win e Esperanza (e achar um saco reler a história da Pequena Pocahontas em TODOS os livros). Significa também desejar ter pais como os pais do agente esportivo Bolitar.
Mas agora temos o Mickey pra amar também. E com ele o Colherada e Ema, a menina gótica que todos amamos.
Adorei Refúgio.  Fantasioso, sim. Provável, não! Dá pra engolir? Com muito líquido dá. Mas mesmo com todos os problemas de enredo (e acho isso super proposital) acredito que Refúgio é um vencedor, porque mantém aquilo que Coben tem de melhor: o mistério.
Mickey está em busca de sua namorada, desaparecida misteriosamente. Está também curioso quanto a uma velha que mora em uma casa mal assombrada. E está tendo problemas de adaptação com sua mãe drogada e seu tio exagerado. No meio de tudo isso, está o basquete, a escola nova, um carinha estranho, que oferece informações aleatórias o tempo todo (dá-le Colherada) e a gordinha Ema, de quem precisamos de informações.
Enfim, um livro que vale a pena. Ainda não comprei o segundo livro de Mickey, mas já posso dizer que gosto dele, quase tanto quanto gosto do tio.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Inferno - Dan Brown

Estava louca pra escrever essa resenha.
Estava maluca, na verdade, e a mais de 15 dias, já que não conseguia terminar de ler essa porcaria de livro, de tão entediante.
Mas eu tinha que terminar, porque queria postar aqui minha opinião.
Adoro Best Sellers. Adoro ler livrinhos rápidos, que te deixam com a sensação de cabeça vazia. Os Best Sellers me ajudam a deixar de pensar um pouco, e como tenho a cabeça muito agitada, isso é um bálsamo. Talvez seja por isso que eu seja viciada em leitura. É como um ópio gostosinho.
Gostei muito dos livros de Brown, (o que mais gosto é Ponto de Impacto), mas já tinha me decepcionado grandemente com o Símbolo Perdido. Achei chato, previsível e “mais do mesmo”.
Eis que, nessa época de livro ruim (esse ano foi MUITO ruim para lançamentos), me pego com esse tal de Inferno nas mãos.
Pra começar, meu marido é um entusiasta da Divina Comédia, e este lendo uma biografia de Dante, da qual eu leio por tabela. Então o clima na minha casa está para Dante e o Inferno, mas não está para Dan Brown.
O livro é ruim. O livro é ruim pra caramba. O livro é um dos piores que já li na vida.
Tão ruim que comecei me questionar sobre os outros livros dele. Não quero mais Dan Brown na minha casa.
Esse escritor é uma farsa.
O livro tem pontas soltas, o deus ex machina mora dentro da história, as personagens são uma droga e TODA a ação é risível.
Langdon e companhia não tomam atitudes condizentes com a condição de seres humanos pensantes.
O pior é que, em retrocesso, todos os livros são assim.
O mais legal é que acabei apagando as histórias da minha cabeça, então não tenho nem como comparar.
Enfim, eu detestei cada linha, de cada página, até o final.
Um momento da “caça ao tesouro” me enganou. Ponto pro Brown. O resto era tão previsível que deu sono. A construção do personagem “diretor” é o mesmo que vimos em todos os outros livros de Brown: o cara misterioso que perde o controle. No começo da história há uma assassina que morre, do nada, ainda no começo. Ele nem apresenta a mulher direito. Ela é só uma cena de impacto de morte,num momento bem ruim.
A mulher da vez (Langdon Girl) é uma superdotada idiota. E o Langdon desse livro me lembra muito o Langdon interpretado pelo Tom Hanks: um bosta.
No fim, ainda salvaram algumas coisas: Florença e Veneza no Google. Lugares que eu não conhecia e passei a saber que existem. Lindos.
Ah, o que falam de Dante dá pra saber lendo a página da Wikipédia.

Shame on you, Dan Brown! Shame on you!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Joyland - Stephen King

Terminei de ler um dos mais recentes livros do Mestre.
Trata-se de Joyland, (e viva a terra da diversão).
É uma história enxuta, bonita e inteligente. Nada de carta ao leitor, então não dá pra saber se é uma história escrita agora, ou se é algum que o king tirou do fundo do baú (se passa no final dos anos 70), mas é uma história “boa pra dedéu”. King diz que teve a ideia da história depois de ver um menino numa cadeira de rodas empinando uma pipa com o rosto de Jesus.
Consegui passar pelo último ano sem receber spoilers dessa história – a não ser pela capa – então eu não sabia nada do que leria, só que estaríamos em um parque de diversões.
A primeira coisa que gostei, foi do personagem principal. Dev é só um garoto, precisando de uma grana, com o coração partido e sem nenhum objetivo concreto da vida para as férias dop semestre. Ele, com mais cerca de 200 pessoas, vai trabalhar em um parque de diversões – Joyland – que funciona somente durante o verão.
Devin não é um personagem completo. Isso se dá, principalmente, por ele ser muito jovem. Ele não teve um passado ruim, apesar de ter visto sua mãe morrer de câncer (como a mãe de King).
O livro é narrado em primeira pessoa, e é levinho e interessante. O ritmo da narrativa não permite que o leitor se desligue da história. Você lê um pouco e não quer mais parar.
Então, o garoto vai trabalhar nesse parque e descobre que alguns funcionários de lá relatam ver o fantasma de uma mulher que foi assassinada no trem fantasma alguns anos atrás.
Quer saber o melhor: essa história não é sobre a mulher. Não é sobre nada aterrorizante, na verdade. Pelo menos não no quesito sobrenatural. Há alguns monstros, mas eles são bem reais. A doença, a crueldade e a decepção são os monstros dessa história que não deixa o leitor com medo, ou revoltado, ou angustiado.
É uma história que deixa o leitor nostálgico, como se ele tivesse perdido algo em sua juventude. No final, é uma história bonita e triste. Mas com picos de alegria gostosos.
Joyland não se parece muito com os livros que nós, leitores fiéis, estamos acostumados. O que mais lembra, talvez, pelo ritmo narrativo, é Eclipse Total...mas ainda não é bem isso.
Que seja, não estou indecisa quanto a uma coisa: adorei pegar essa obra nova e original e vi que tempos de Love e Celular ficaram pra traz. A história é muito boa e eu recomendo que vocês deem uma passada na Carolina do Norte, no verão, e visitem Joyland. Você vai ter diversão, conhecer o cão Howie, e, quem sabe, ver um fantasma de verdadinha no túnel do terror!
Ah! Ainda não saiu no Brasil!




sábado, 6 de julho de 2013

Desespero - Stephen King

Resolvi  reler Desespero depois que achei o pocket por 10 reais no Submarino.
Preço de banana, livro bacaninha, eu sem vontade de ter pensamentos sérios.
Reler King é legal por que não exige esforço intelectual. Nenhunzinho mesmo. É, tipo, você ver televisão.
Por outro lado, reler faz com que você ser concentre menos na história principal e mais nas nuances.
Isso me fez perceber que Desespero tem uma boa história a ser contada e nenhum detalhe significativo. É um dos meus livros favoritos de King, mas não deixa nada para o leitor resolver.
Ah, claro, temos a grande questão DEUS no livro. Mas nem ela pode ser muito explorada, porque não existe, na verdade, dúvidas sobre a existência de Deus para os leitores. Ele está lá. E está querendo algo.
Resuminho:
Um grupo de pessoas - entre elas um menino religioso e um escritor arrogante – são levados para a cidade de Desespero, no meio do deserto de nevada, e lá tem que enfrentar um demônio antigo, em favor de Deus.
O livro conta, basicamente, as maldades do demônio (sempre incorporado) e permeia a fé do menino (David) com a descrença do escrito (Johnny).
É um dos maiores livros de King, com quase 900 páginas e tem um ritmo alucinante, com personagens interessantes em seus anseios NO PRESENTE, mas apenas os dois principais são bem construídos o suficiente para serem dignos de nota. A impressão que dá é que os outros personagens foram apenas jogados lá para fazer volume e cumprir tarefinhas bobas.
King mexe muito com a maneira como as pessoas observam a fé do próximo, no que as pessoas acreditam (ou não) e como elas lidam com o inexplicável.
David é um “tocado por Deus” e até realiza a multiplicação do pão e do peixe na história.
Até começar escrever essa resenha, achava o livro o máximo, mas agora estou com sérias dúvidas sobre o que achar dele, do ponto de vista de não haver, realmente, uma grande história, como é o caso de Buick 8, que descrevi no blog  no mês passado.
A própria conquista da fé é estranha, e se dá depois de muitas provas desnecessárias.
Acho que King falhou em sua tentativa de utilizar a fé como recurso, e também faltou um pouco de conhecimento “jogado na cara do fiel leitor” em relação à bíblia. Ele poderia ter abusado mais disso.
Na verdade, pensando agora, acho que King só usou o livro para fazer uma descrição dele mesmo (no caso de ele não ter tido a coragem de largar as drogas e bebida a tempo). O livro é sobre King (ou John Marinville) e como ele deve ter se visto quando mais alucinado pelo sucesso.
Se você, fiel leitor, me perguntasse sobre o que esse livro é há 10 minutos, eu diria que era sobre Deus e fé, mas agora acho que é um autorretrato.
Por fim, como sou uma pessoa com as ideias viajadas, não posso deixar de dizer que tive longos pensamentos sobre a existência e utilidade de Deus depois de acompanhar a saga de David pela fé que ele adquiriu.
Tenho pensamentos originais - que não estavam na minha cabeça uma semana antes – sobre o que é e o que faz Deus. Mas isso veio depois que terminei o livro, o coloquei de lado e me perguntei: “acabou?”.
Agora estou a fim de reler Os Justiceiros, para ver o que consigo tirar de lá. Acho, só acho, que vou gostar mais dele.
Só uma coisa é digna de nota em Desespero: Tak. O demônio, ou fumaça, ou vibe ruim (ninguém sabe) foi desenterrado da Mina do China e tem uma coisa nele que gosto muito, ele não se preocupa. Ele não tem planos. Ele quer somente possuir alguém, matar, comer e fazer tudo de novo. Ele não se preocupa em trazer amigos, fechar portais, bajular um chefe. Tak é só energia ruim e instinto. A nêmese de Deus é o irracional. A fome. O sangue. E o medo.

Desespero: Recomendo a leitura, é muitíssimo divertido. Mas não releia. Não vale o esforço.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

From a Buick 8 - Stephen King

Esse fim de semana terminei a releitura de Buick 8. Resolvi ler novamente por que no “fã clube” do king – de que faço parte – meus coleguinhas criticaram bastante o livro.
Contem Spoiler lá embaixo, ok?
Buick 8 é a história de um regimento da polícia estadual da Pensilvânia, que tem a “guarda” de um carro (muito estranho) que foi abandonado num posto de gasolina.
O carro tem um motor zuado que não funciona, uma chave de ignição que não é uma chave, só um pino, e repele sujeira. O carro parece um Buick, mas não é EXATAMENTE um Buick.
O Regimento D é um esquadrão de policiais de rodovia, que – por não saber explicar o que o carro é – o mantém em um galpão, em segredo, por mais de 20 anos.
O carro é, na verdade, um portal para outro mundo. Se abre de tempos em tempos, e às vezes manda coisas para o galpão, às vezes tira coisas dele.
Agora vamos aos fatos.
A narração do livro é feita a partir de vários personagens que contam a história para o filho de um policial que morreu à serviço no regimento D. a narrativa de Buick 8 não é das melhores do King, por que muitas vezes me deixou um tanto confusa quanto a quem estava falando, mesmo que cara capítulo tenha o nome de quem está contando a história.
Também notei umas disparidades temporais. Pode ser implicância minha, e a história começa em 79, mas acredito que o livro não tenha, realmente, sido escrito em 2002, como King alega.
No meias, gostei muito do jeito como ele conduziu o desenvolvimento do relacionamento do regimento com o carro. Ele deixa uma sugestão de que o carro é um personagem e o Regimento D é outro. O legal também é o ar de segredo de polichenelo que King dá ao fato de o Buick ser “propriedade” do D. em dado momento ele diz que mais de 100 policiais passaram pelo regimento nos últimos 20 anos, e que todos sabiam sobre o Buick, e que todos guardaram segredo. Todos sabem que é impossível guardar segredos, quando muitas pessoas o conhecem, e isso faz do D um corpo especial.
Quanto aos monstros.
O Buick pari monstros. De repente, luzes começam piscar, a temperatura começa cair e o porta malas abre, soltando uma criatura.
Aqui que eu acho que houve uma sacada sensacional.
King brincou com a capacidade cerebral e linguística para descrever os bichos que saiam do carro.
Como boa graduada em Letras, estudei Semântica e Linguística, e acho que King também usou disso na composição deste texto.  
A primeira criatura que sai do carro (horrível como todas) é uma “coisa morcego”. É diferente de qualquer coisa já vista. É apavorante. Não parece com nada já visto, mas eles a chamam de coisa morcego por que morcego é o que mais chega perto de descrever aquilo. NÃO SE PARECE NADA COM UM MORCEGO.
Acho isso lindo, como achei ao ler Matéria Cinzenta.
O cérebro humano é incapaz de processar certas imagens. Aquilo fica parado na nossa mente, até que façamos a adaptação necessária para compreendermos.
King chega a te a dizer, através de um dos personagens que “o carro não é um carro, mas é assim que nós o vemos”.
Outra coisa bacana - e totalmente coerente – é a intenção do capitão de explicar que o Regimento D funcionava muito bem, obrigada.
Eles tinham um portal sobrenatural para outra dimensão à 5 metros deles, mas conseguiam realizar as atividades diárias com competência, sem ao menos pensar tanto no Buick, pelo menos quando ele estava dormindo. Isso por que “com tempo e esforço, o ser humano acostuma-se com qualquer coisa na vida”. O que também é verdade.
Acredito que muitos livros do King te dão aquela faísca de pensamento pra ficar desenvolvendo depois. Mas em Buick, essa faísca é bem forte.

Livro divertidíssimo, que gosto muito.

domingo, 16 de junho de 2013

Fique Comigo - Harlan Coben

Às vezes eu gosto de alguns autores sem saber por que gosto.
Esse é o caso de Harlan Coben.
O homem não escreve de uma maneira especial, usa o Deus Exmachina com uma frequência nada saudável e tem um personagem em alguns romances que não dá pra engolir. No entanto, sai livro do cara e eu to lá, comprando, e lendo em um dia.
Talvez ele seja o novo Sidney Sheldon, da minha fase adulta.
O fato é que eu gosto bastante dos livros de Coben, sem saber direito por que.
O ultimo que caiu em minhas mãos foi “Fique Comigo: quando menos se espera, o sonho pode virar pesadelo”.
A Hell of Title, né?
Bom. Pelo menos essa não é uma história de Myron Bolitar.
Myron é o personagem fodão, ex FBI (ainda não li as histórias dele no FBI), ex jogador fodão, ex advogado, e no momento agente de celebridades. Os livros em que Myron aparece são histórias cheias de ação e sem um pingo de sentido, sobre celebridades que vivem confinadas á ilhas e mães suicidas com bebês desaparecidos.
Fique Comigo é a história de uma mãe com um passado obscuro, que tem que voltar à esse passado para esclarecer um crime. É uma história de Serial Killer - bem bobinha por sinal - mas POR QUE EU ME AMARREI TANTO?
Toda a coisa do Coben está no ritmo. É sempre alucinante. Li quase 300 páginas em algumas horas, e perdi o fôlego umas 4 vezes. Coben mexe com a emoção do leitor e consegue passar o melhor clima de suspense possível. Melhor que muitos filmes, por sinal. Depois de ler um Coben, você deve descansar a sua cabeça por uns dias, senão qualquer livro que você for ler parecerá arrastado e você vai desistir dele. Coben te estraga para outras histórias.
Quer começar ler, comece com Não Conte a Ninguém, Desaparecido pra Sempre, ou Cilada. Ganhe horas de diversão com a mesma sensação de quem viu Os Vingadores: divirta-se terrivelmente e horas depois se pergunte “por que diabos eu gostei daquilo”.

Falou uma viciada em Coben.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Garota Exemplar - Gillian Flynn




Ler Garota Exemplar é uma experiência.
Li depois que muita gente elogiou a história. Li depois que muita gente disse que era o contrario do mau afamado e mau escrito 50 Tons de Cinza. Li depois que as pessoas começaram dizer que o livro era demais e que a Amy (personagem principal) era mesmo exemplar.
Por que gostei do livro?
É muito bem escrito. Embora eu não ache que a autora inovou no quesito ‘narrativa’ (ei, ei, vamos enganar o autor com as palavras da própria personagem)Gillian Flynn consegui construir uma história interessante, convidativa e rápida. É o que chamamos de thriller.
A história começa com o desaparecimento de Amy e o esforço (ou não) do marido para encontrá-la. Entremeado a isso, lemos o diário da moça, desde a época linda e mágica em que conheceu o marido em NYC até o momento em que eles se mudaram para o fim do mundo onde o marido nasceu, e voltou para cuidar da mãe com câncer.
Narrativa excelente pelo ponto de vista do marido. Narrativa muito boa também quando lemos o diário da pobre Amy.
Achei legal a forma como a autora conseguiu transmitir a meiguice de Amy, suas maneiras de agradar o marido e como a vida de casada era especial pra ela.
Com o desenvolvimento da história vemos o marido, Nick, ficar cada vez mais encrencado com a polícia, que o culpa de ter assassinado a mulher...mas, cadê o corpo?
Por que não curti o livro?
É um livro fabricado.
Acho que quando um autor se torna pop, muita gente começa a falar que o cara usa “fórmula” pra escrever. Não discordo. Mas mesmo assim, alguns Best Sellers tem HISTÓRIAS PRA CONTAR.
A impressão que me dá que Flynn fez uma pesquisa populacional para ver o que as mulheres queriam ler, e montou esse livro.
Ele soou artificial em alguns pontos. Por exemplo, na parte policial. Não tinha como Flynn não introduzir  a polícia na história, mas a atuação dela foi muito, muito ruim.
Outra coisa que detestei foi a maneira como público reagiu ao livro.
SPOILER


Amy é uma vaca psicopata, muito, muito filha da puta, e as mulheres ficam endeusando ela!
Odiei o retrato da mulher perfeita que também é o demônio de mulher. Ninguém é perfeita, ninguém é exemplar, mas aqui Flynn fala como se fossem as duas únicas maneiras.


FIM DE SPOILER

Acho que teria gostado mais do livro se ele tivesse se concluído com as pessoas merecedoras estando atrás das grades.
Se 50 Tons de Cinza denigre a imagem da mulher ( e sim, denigre, eu não li mas eu mesma tenho vontade de dar uns tapas em Anastácia), Garota Exemplar faz muito, muito pior.
Por fim, leitura divertida, aos moldes de Sidney Sheldon (garota vingativa) que me deixou, mulher, emputecida.
Mas recomendo a leitura (vai me entender)

O Pacto - Joe Hill




Acabei, neste minutinho, de ler O Pacto, de Joe Hill.
Estou surpresa.
Li Estrada da Noite uns tempos atrás, e achei somente bonzinho, talvez por que gerei certas expectativas erradas. Resolvi ler O pacto por que me foi altamente recomendado pelo meu brother Renan e eu queria uma coisa nova.
Não foi nada do que imaginei.
A história de O pacto em si, poderia não dar em nada. Não é uma GRANDE HISTÓRIA. São poucos personagens, em um ambiente não muito fixo. Você não se sente LÁ como acontece quando lemos algumas histórias.
O Pacto é tudo sobre narrativa.
É um truque.
É bom pra caralho!
Eu nunca imaginei que fosse gostar tanto de um livro depois de ter passado metade dele me perguntando exatamente onde ele ia chegar.
O Pacto engana a gente.
Eu tive a opinião sobre as pessoas construída, destruída, reconstruída e de novo, destruída. Foi bizarro.
Estava a certa altura do texto em que ficava com raiva de um personagem e então as coisas mudavam de uma página pra outra e eu: dafuq did happen?
Estou muito chata pra leituras ultimamente. Mas devo dizer que esse livro me prendeu de uma maneira que EME surpreendeu bastante. Não via uma narrativa tão bem trabalhada faz muito tempo.
É uma história triste.
É um texto que te diz: o que um psicopata pensa.
E é, ó clichê das =artes uma história de amor e abnegação.
Recomendo mil nosso amiguinho Joe Hill e recomendo muito a página de agradecimento no final, que me fez entender por que nunca vou ser escritora: ele revisou a coisa pelo menos cinco vezes.
O livro é um pacto que o leitor faz com o autor, de acreditar em tudo o que ele diz, e no final, mandá-lo pro inferno.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sob a Redoma - Stephen King


Quando vi que a Objetiva ia lançar Sob a Redoma no Brasil, fiquei louca. Estava morrendo de vontade de ler alguma coisa no estilo novelão de King e eis que fui agraciada com uma grande surpresa. Os livros mais recentes de King (incluindo Love, Cell e Duma Key, além do finalzinho de Torre Negra) tem um grande defeito pra mim: a enrolação. Celular foi um dos livros que eu menos gostei do mestre, seguido por Love imediatamente. Duma Key tem uma vantagem enorme sobre eles por ser uma história muito interessante, mas eu senti nesses livros todos e em grande parte da Torre que Stephen King estava enchendo linguiça.
Uma pessoa capaz de escrever um livro com quase mil páginas como IT e Dança da Morte, acaba sendo um pouco prolixo e confiante demais. Porra, todos nós sabemos que ele quer derrubar arvores, mas a Torre Negra ficaria tão bem em apenas quatro livros que...bem, vamos voltar ao Sob a redoma.
Quem é fã é fã e eu decidi ler o livro, já que tinha lido a premissa e me perguntado: que porra esse homem escreveu em quase mil paginas sobre um Zé povinho preso debaixo de um vidro?
E não é que ele escreveu bem demais? Sob a Redona trouxe de volta o estilo “sem o pé no freio” de King, que encontramos em O Ilumidado e Zona Morta (quase todos os livros antes de meados de ’90, na verdade). Você começa ler e não consegue parar. O livro não tem extras chatos, detalhes insignificantes e embromation. O livro é um singelo tijolo que só diz o essencial.  Tudo é essencial, certo?
História de uma pequena cidade no Maine, que fica pertinho de Castle  Rock, e de um segundo para o outro fica presa sob uma redoma. Essa redoma cobre exatamente os limites da cidadezinha e é indestrutível.
Quam está fora não entra, quem está dentro...ah, entendeu, certo.
Dentro de Chester Mill temos um político com manias de grandeza que rapidamente evoluem para algo parecido com um ditador, temos o pessoal do bem e temos sim(!), um serial Killer.
Lembro quando li Dança da morte e – olha o SPOILER – existia uma gang de estupradores/torturadores que sequestrava e mantinha as mulheres sobreviventes em cativeiro – fim do Spoiler – e pensei: poxa, os últimos seres humanos da terra e um bando de filhos da puta faz uma coisa cretina dessas? E ai chega o tio King e mostra que as pessoas boas podem se mostrar cegas e irracionais em momentos de desespero. (mostra isso muito bem em Trocas macabras também).
Sob a Redoma é uma história de uma cidade enlouquecendo, rapidamente. A história de ratinhos presos em um labirinto, ou melhor, formigas em um formigueiro.  Eu estou relamente surpresa de ter gostado tanto. Sempre que leio um livro recente do king, já começo com um pé atrás.
Leiam pessoas, que esse vale a pena.  Pra não dar spoiler termino aqui, com três Ps’s.
Ps¹: Os xingamentos à Obama devem traduzir muito bem o que algumas pessoas pensam dele no sul.
Ps²: se liga na maneira como a religiosidade pode ser manipulada para chegar onde as pessoas querem.
Ps³: O King definitivamente não sabe qual é o alcance da internet. (quem leu sabe por que )



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Universo feminino de Stephen King


Ontem terminei de ler mais um texto de Stephen King. Com o passar dos anos, a faculdade de Letras e os títulos mais clássicos, o mestre do horror foi ficando cada vez mais de lado na minha lista de leituras, mas de vez em quando, sento e devoro um dos livros dele, e isso é divertido. O escolhido dessa vez foi Rose Madder, que eu jurava que nunca tinha lido, mas já tinha. Percebi que era uma releitura no meio do primeiro capitulo, comecei relembrar algumas partes, mas continuei, por que desta vez li o livro de uma perspectiva mais, talvez, adulta.
Resolvi escrever esse post, não para falar sobre Rose Madder, mas para colocar em ordem alguns pensamentos meus sobre as obras com heroínas de King. Não sei se minha lista vai ficar completa, mas há alguns destaques entre as personagens de Stephen King, que me fazem pensar que ele conhece bem o que se passa no interior das mulheres.
São vários os livros dele que nos remetem ao mundo feminino.

Em Carrie, (1972) temos como abertura a cena em que Carrie White menstrua pela primeira vez, aos dezesseis anos. A primeira situação que chama atenção na cena é a crueldade das outras meninas humilhando Carrie enquanto ela está desesperada por estar sangrando sem saber por que. King nos dá uma visão interessante através de Sue Snell. Carrie é uma pária na escola, por conta de suas próprias atitudes, as roupas que veste, sua aparência em geral. Sue sente nojo, ódio, pena de Carrie, e por ser adolescente, não consegue lidar bem com esses sentimentos. É uma das colegas que joga absorventes em Carrie enquanto ela chora e sangra no banheiro. A crueldade com que as meninas tratam Carrie, naquele momento para sue, é culpa de Carrie. Até mesmo a responsável pelas alunas, a professora se ginástica, sente em um primeiro momento vontade de esbofetear Carrie, por sua estupidez. A senhorita Desjardim consegue se controlar, mas aquele sentimento de repulsa por Carrie não desaparece completamente. Todo o texto de Carrie é sobre o universo feminino. E sobre adolescência. King permeou o texto com histórias e sentimentos de mulheres e os poucos personagens masculinos são nulos. Enquanto Carrie é uma vitima, Chris Hargensen é a algoz. Uma garota rica, mimada e popular, que faz de Carrie sua vitima preferida. Stephen King resumiu nesse livro a clássica disputa da High School americana, entre os populares e os perdedores. Mas não só isso. Mostrou por que essa rixa existe. Vandalizar Carrie é defender-se daquilo que Chris não quer ser. É se garantir como a pessoa de destaque, sem deixar brecha para ninguém mais.
E depois há a criação de Carrie. Ele não teve pai. Foi criada em um ambiente opressor por uma mãe fanática religiosa com ideias muito estranhas sobre como as coisas funcionam no mundo. O espaço de Carrie é dividido em dois. Dois mundos completamente diferentes. Um dominado pela mãe de Carrie, Margaret, e o outro dominado pela crueldade de crianças que tentam se firmar.
É ainda um mistério Margaret não ter educado Carrie em casa. A menina sempre cresceu a parte da sociedade, tendo convivência mínima com outras pessoas que não fosse sua mãe. Ela foi criada para acreditar que o mundo era um lugar cruel, indecente e pecador. Não é a ideia que Carrie tem do mundo, no entanto. Ela quer estar nele. Quer fazer parte daquilo que considera natural e ao mesmo tempo entende que não se encaixa neste mundo. Carrie é a história de uma garota entrando na adolescência, elevada a quinta potência.

Outro título que fala sobre mulheres é A Incendiária (1980). Firestarter é um livro diferente de tudo o que King escreveu. E entra em três categorias distintas dos personagens de King. É um livro sobre mulheres, mas é um livro sobre homens e sobre crianças. Charlie Mcgee é uma menina. Oito anos de idade. Mas ela já sabe fugir, se esconder e roubar. A Incendiária é um livro sobre teoria da conspiração. O governo testou nos pais de Charlie (antes que eles se casassem) uma vacina que deu aos dois poderes psíquicos. Vicky pode mover pequenos objetos com a mente, e seu marido, Andy, consegue manipular o pensamento das pessoas para que realizem sua vontade. Nada absurdamente grande. Só pequenas coisas como fazer um grupo de mulheres gordas caminharem e esquecerem de comer porcaria. Eles se casam e tem uma filha, Charlene. O que eles não sabem é que o governo vigia a menina de perto, já que ela é um efeito colateral do teste que aplicaram nos pais. Vicky é assassinada quando agentes do governo procuram por Charlie, depois de perceberem que ela tem poderes pirocinéticos. Charlie pode atear fogo com o poder da mente. A história é sobre fuga e depois captura de Charlie pelo governo. E sobre a sua necessidade de controle. Charlie tem um poder muito maior que o dos pais, e precisa aprender controlá-lo. Mas ela é só uma garotinha. Quando ela é capturada e separada do pai, aparece um dos personagens mais intrigantes de Stephen King. Rainbird. Ele é um índio, um assassino, e alguém em busca de receber uma grande revelação através da morte de outras pessoas. Rainbird se aproxima de Charlie como se fosse o faxineiro do complexo em que ela está presa, e eles se tornam parceiros. Existe uma leve sugestão sexual na relação entre o índio e Charlie. Embora ela só tenha oito anos, e o desejo de Rainbird seja matá-la, em algumas cenas tem-se a impressão de que ele também está apaixonado por ela. Ele não vê a criança que Charlie é, mas vê um grande ser de poder na figura da garota. É uma mistura de desejo, inveja, vingança. O interessante é observar a diferença entre a Charlie do começo da história e a menina que consegue explodir todo um complexo do governo e escapar. Charlie é uma evolução de si mesma, que tem que superar em pouco tempo a morte dos pais e a ideia de que agora ela é sozinha no mundo, além de controlar sua raiva, para que não coloque fogo no mundo.

Jogo Perigoso (1992) é um livro totalmente feminino. É a história de uma mulher algemada em uma cama, sem condições de escapar. As implicações de Jogo Perigoso são imensas. Primeiramente, Jessie Burlingame está para ser estuprada pelo seu próprio marido. Depois de aceitar ser algemada na casa do lago do casal, Jessie decide que não quer mais fazer sexo daquela maneira. O marido - Gerald - aceita as recusas da esposa como se elas fossem parte do jogo masoquista, Jessie perde o controle e acerta o marido, gordo, na virilha causando sua morte por ataque cardíaco. Jessie se vê presa em uma cama, em um lugar ermo, com o marido morto do lado. Esse livro não tem nada de sobrenatural. É o terror puro de uma mulher que se vê presa não só fisicamente, mas nas lembranças de sua infância, com uma mãe ciumenta e cruel por que o marido (pai de Jessie) é atraído sexualmente por ela. A mesma situação pode ser vista com Bev, em A Coisa. No caso de Jessie, há a lembrança clara de um dia de eclipse, em que ela se arrumou especialmente para o pai, que abusa dela enquanto ela observa o sol se esconder. Essa lembrança enterrada na mente de Jessie vem à tona com outras, no momento em que ela se vê impossibilitada de sair daquela armadilha. Jogo Perigoso tem seus elementos de horror mais físicos, como um necrófilo que “visita” Jessie durante a noite e a observa, ou o cachorro que começa comer partes do seu marido, depois de passar fome ao ser abandonado pelos donos. Mas Gerald’s Game não precisava disso. A própria situação de Jessie estar persa com suas lembranças, algemada e com sede já é o suficiente para abrir espaço para o medo, pelo menos para mulheres. A história de Jessie é pavorosa por si mesma, e também um bom exemplo de como as pessoas se adaptam aos traumas para poderem viver novamente. Aquelas sombras estão sempre lá, e às vezes, elas reaparecem para assustar, mas na maioria do tempo pode-se guardá-las no fundo da mente, simplesmente para sobreviver. Jogo Perigoso mostra a mulher criando coragem de enfrentar todos seus medos e traumas, usando esses sentimentos de raiva, decepção, medo e nojo para poder superar a situação mais emergencial. Jessie escapa da cama em que estava presa, mas nunca mais será a mesma mulher.

Dolores Claiborne, com o titulo no Brasil de Eclipse Total (1992) é, sem dúvida, a melhor narrativa de King. Quem narra a história, em só fôlego, é Dolores, moradora de uma ilha no Maine, que tem muita história pra contar. Sua patroa, Vera Donavan, morre e deixa pra ela uma herança. A polícia a interroga sobre a morte da patroa e Dolores desfia a historia de sua vida para os policiais. Dolores é uma mocinha ingênua, que se casa com um homem ruim, e desde o começo tem que sustentar a casa e os filhos. Ela é uma lutadora, que vai trabalhar com Vera e tem que agüentar muitas humilhações para colocar comida na mesa. Os problemas de Dolores com o marido, os filhos, a patroa, são imensos, mas pioram muito quando ela finalmente descobre que o pai de seus filhos vem abusando se sua menina de 15 anos. A história de Dolores não tem elementos sobrenaturais como outros textos se Stephen King. É um texto sobre o que uma mãe pode fazer pelos filhos. Eclipse Total foi dedicado a mãe do autor, e retrata até onde uma mãe pode chegar para proteger sua prole. A história também retrata como foi a vida de Vera, que perdeu os filhos em um acidente, e por se sentir extremamente culpada por isso, não admite que eles estejam mortos. Vera, aos poucos, vai enlouquecendo e Dolores é a única pessoa que ela aceita que esteja por perto. Dolores convive com a loucura de Vera, o sofrimento de seus filhos quando crianças, o distanciamento deles depois de adultos, a própria velhice e além de tudo, tem que lidar com o fato de que não sente nenhum pingo de culpa por ter assassinado o marido.

O livro que me trouxe aqui, Rose Madder (1995), conta sobre uma mulher que foge do marido violento. Na primeira cena, Rosie está sofrendo um aborto, depois de ser espancada. Fazia muitos anos que uma cena não me fazia passar mal como essa. Ao ler sobre Rosie perdendo o bebê, minha pressão caiu e fiquei tonta. Depois de vestir minha capa de indiferença, levei o livro em diante e fui relembrando como era a história da fuga de Rosie. Depois de ser espancada por 14 anos, de formas horríveis, Rosie acorda uma manhã e vê uma gota de sangue no seu lado do lençol. Aquela mancha de sangue desencadeia nela a reação da fuça. Sem ao menos pegar um casaco, Rosie foge do marido, e vai para outra cidade. Lá começa a se recuperar, construir uma vida. Mas Norman, o marido, ainda não terminou com ela. Rose Madder tem umas coisas bem decepcionantes, como o pouco foco em outros personagens que não sejam Rosie e Norman. Ainda assim, é uma história muito interessante, em que se pode sentir pena e amor por Rosie, torcer para que ela seja feliz. E sentir medo por ela, cada vez que Norman consegue mais uma pista de onde ela pode estar. A superação de Rosie, com a ajuda de um quadro que é uma janela para outro mundo, é muito bonita de se ver. Um ser amedrontado vai se revestindo de coragem para dizer nunca mais aos abusos domésticos. A loucura de Norman, sua obsessão por vingança, a maneira como ele fantasia matar Rosie, leva o leitor a um clímax quando ele a encontra. A realidade com que King retrata as violências sofridas por Rosie dá um nó no estomago. Além disso, ao entrar no mundo do quadro, King dá ao leitor a percepção de coisas muito maiores que estão para acontecer ao mundo, e que talvez Rosie estivesse destinada a passar por todo aquele horror para poder fazer parte de algo maior. Em Rose Madder, a realidade da violência domestica atinge o leitor e pode-se entender que isso acontece em muitos lares, perto de nós.

Esse post tem por objetivo mostrar um pouco de Stephen King e sua relação com o universo feminino. Nem todos os livros estão aqui, mas as histórias aqui retratadas podem mostrar um pouco do conhecimento dele com um mundo que é tão misterioso para a maioria dos homens, são historias de dores, traumas e superação, e se king tivesse enveredado por esse lado ao invés de escrever historias de monstros, talvez fosse um autor um pouco mais respeitado. Mas, pelo menos, ele tem a nós, os leitores fiéis. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

Minha relação com os Best Sellers

Todo mundo sabe da minha paixão nada secreta, porém vergonhosa por best sellers. Não que eu leia qualquer Best seller, mas a minha queda por romances policiais e de suspense me leva, às vezes, a consumir alguns textos que a critica acha duvidosos, embora eu ache é muito divertido!
Além disso, ainda há aquela coisa com os escritores de Best Sellers. Eles são os que tiraram a sorte grande, os ganhadores da loteria de um mercado que é extremamente competitivo e difícil. Não é só “cair nas graças do público”. Antes de ser um cara famoso, o escritor tem que ser aceito por uma editora. Essa editora tem que acreditar no seu potencial e divulgá-lo. O público tem que arriscar sair daquela zona de conforto dos autores conhecidos e experimentar coisas novas. E apesar de tudo isso ser difícil, há a parte mais difícil: escrever.
Dizem por ai que os escritores de linha de produção (os que lançam pelo menos um titulo por ano) têm uma fórmula para escrever. Eu concordo. Se você pega um livro da Danielle Steel verá uma mulher muito rica que sofre nas mãos de um cafajeste, passa por apertos financeiros e depois redescobre o amor verdadeiro em um cara mais podre de rico ainda. Esse tipo de livro vende (ou vendia) porque mulheres têm carência de duas coisas: amor mágico e vida de luxo. Ler um livro de DS era entrar em um mundo mágico de riqueza e luxo e mesmo assim saber que as mulheres têm problemas reais. (ok, isso é um saco, mas quando eu tinha 14/15 anos chorei muito com os livros da madame Steel.
Sidney Sheldon (que até hoje é redescoberto por pessoas de 16 anos (eu sempre fico passada quando ouço pessoas de 16 anos lendo SS)), tem sua própria fórmula. Personagem principal: mulher que sofre uma injustiça e sai quebrando tudo. Eu também gostava. Aliás, tem um, sobre uma moça inocente que é presa injustamente e sai para virar uma griftter, que eu ainda adoro (!). Ao contrário da DS, SS escreveu “apenas” uns 15 livros. A fórmula ainda é obvia, mas como as histórias eram mais bem desenvolvidas, (falavam sobre política, imprensa, psicologia e crime), os livros dele eram mais divertidos.
Hoje em dia não consigo mais engolir romances, pelo menos não romances “mais vendidos”, embora esteja adquirindo uma queda por certos romances clássicos. Por isso quando as pessoas me dizem que “Cher, você tem que ler Sparks” eu dou meu melhor sorrisinho e ignoro (aliás, as pessoas que sabem o quanto eu sou fissurada em leitura têm a ideia de me indicar qualquer coisa, tipo A Cabana).  No entanto, existem dois escritores de best seller que eu estou consumindo agora e me divertindo horrores.
O primeiro é uma paixão mais antiga, e versa sobre um tema que eu adoro: tribunais. O escritor é o advogado estadunidense John Grisham e muitos dos seus livros se tornaram excelentes adaptações de cinema. Entre ficções e não ficções, livros de tribunal e um ou outro sobre assuntos como futebol americano e a vida no interior, Grisham conseguiu um status bacana entre os escritores atuais. Seus livros versam principalmente sobre jovens advogados em inicio de carreira que conseguem alcançar um objetivo quase impossível. Ai está a formula. Mas o bacana em Grisham é a maneira como ele utiliza a pesquisa e as leis reais para complementar suas histórias. Além disso, pode-se perceber em seus textos o quanto os Estados Unidos pode ser corrupto, indigno e racista. Uma característica que noto nessa nova onda de Best Sellers, é a falta de importância que os escritores são com o dinheiro. Não vou fazer uma descrição social dos novos leitores, mas os mundos de luxo de DS e SS, Harold Robins e companhia não é mais a pedra fundamental do sucesso dos romances de larga produção. Hoje as pessoas querem ler sobre os que estão subindo na vida, batalhando e buscando o sucesso. As mulheres não querem mais ficar em casa, cuidar dos filhos e comprar sapatos (elas querem só comprar sapatos!). As mulheres querem uma carreira. Os homens querem uma carreira. E por isso os livros de Grisham têm, geralmente, um personagem central masculino, normal, sem grana e que cativa os dois públicos. Além do mais, o homem escreve de uma maneira muito interessante. Rápido, mas bem descritivo, incisivo e econômico, de um jeito que não nos dá a impressão de algo faltando. A vida pessoal das personagens tem vez nos romances de Grisham, mas são só um reflexo de algo maior: o trabalho. Os livros de Grisham são sobre a vida que a pessoa está construindo e as dificuldades disso. Mas são também sobre a superpotência americana manipulando todo o mundo através das leis. Sobre companhias ricas que estão ricas à custa dos consumidores, sobre a indústria advocatícia americana e tudo de bom e mal que há nela. E sem muitos termos técnicos.
Outro autor que ando lendo e gostando é Harlan Coben. Um dia acredito que ele vai ser um grande nome entre os escritores de Best seller, e ainda não é por que é cru. Coben escreve mistérios policiais. O que o faz vender não é sua escrita nem seus personagens. Coben ainda precisa melhor muito a empatia de seus personagens com o público, melhorar os diálogos em seus livros e se levar um pouco mais à sério. Como não poderia deixar de ser, depois da primeira onda de sucesso, Coben criou um detetive só dele. Um personagem bem fraquinho, na minha opinião. Muito infantilizado e fora de timing. Mas em uma coisa Coben acertou todas as vezes, até agora: o mistério em sí. Os mistérios de Coben são bem estruturados, modernos e intrigantes. A maneira como ele chega à solução do mistério durante o romance é muito bacana e interessante. O problema de seus livros é que, quando o detetive vai contar o que realmente aconteceu, nós já sabemos. Mas cá entre nós, ninguém escreve um mistério como Agatha Christie, e se formos usar ela como parâmetro pro Coben, ele fica no chinelo.
Enfim, apesar de todos os defeitos listados e das vezes em que eu li uma frase de Coben e “franzi o sobrolho”, ainda acredito que ele possa se tornar um grande cara, e enquanto isso, vou me divertindo com o que consigo.  

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os deuses de Martin - Crônicas de Gelo e Fogo


As mitologias existentes nas Crônicas de Gelo e Fogo são excelentes.
Existem muitas terras, e com elas, vários deuses. Uma coisa que tenho notado, na leitura deste quarto livro é como a questão religiosa foi crescendo durante a trama.
Em GdGeF cada povo tem suas próprias crenças, e Martin consegue tratar essa situação de maneira muito interessante. Em vários aspectos, as diferenças religiosas são aceitas, ou pelo menos toleradas, mas com o desenvolvimento da história, como avanço da guerra, com as modificações de poder, as tolerâncias estão terminando.
Dois aspectos interessantes da religião em GoT são as ideias do Deus único e do Deus afogado.
Primeiramente podemos dizer que as crenças religiosas se adaptam ao local onde as pessoas vivem. Os deuses árvores com cara de coração são os reis do norte, onde existem florestas vastas e muitas árvores. O Deus Afogado é um deus do mar, adorado pelos moradores das ilhas de ferro.
Gosto muito da concepção do Deus Afogado. Ele se encaixa perfeitamente na maneira como os homens de ferro vivem. Através de seus sacerdotes (e o principal deles, Cabelo Molhado, é muitíssimo devoto) o Deus Afogado fala, e sua maneira de se comunicar é através das ondas. Fiquei muito surpresa com a maneira como Martin apresenta os rituais para o Deus Afogado. O povo das Ilhas de Ferro vive quase que exclusivamente do mar. Existem capitães e tripulação em centenas de navios. Um povo que vive do mar, não pode ter medo dele, e para isso os sacerdotes afogam os devotos, transformando-os em parte do mar. O ritual de afogamento e ressuscitação dá a ideia ao devoto de que ele sobreviveu ao mar. E que depois disso ele tem que temer outros perigos, mas não aquilo pelo que já passou. É uma ótima lavagem cerebral, uma concepção extremamente interessante e que se cerca de outras ideias também interessantes, como a de que o último lar de um devoto é embaixo do mar (literal e figurativamente). Um homem devoto terá seu lugar no reino embaixo do mar depois de sua morte terrena e por isso não tem que temer nunca a morte. Essa ideia religiosa funciona muito bem para criar homens destemidos para a guerra. Os homens de ferro são grandes lutadores.
Há outros deuses, e para mim o que é mais interessante é R'holor. Ele é o chamado deus único e seus sacerdotes são os mais intolerantes de todos os sete reinos. Na verdade os sacerdotes vermelhos incitam a intolerância e fazem guerra através do nome do deus. Nesta seita, existe o deus e seu oposto. A chama e luz e a escuridão. Lembra o que mesmo?
Um dos reis que está reclamando o reino é Stannis. Ele segue, um pouco a contra gosto acredito, Melissandre, que é uma sacerdotisa vermelha com poderes realmente grandes. Existe magia em Melissandre e ela deve essa magia (negra, ao meu ver) ao seu deus único. No momento Stannis usa em suas armas o símbolo do veado (que é o símbolo de sua casa) misturado com o vermelho do deus R'holor.
A batalha em GoT está cada vez mais focada em motivos religiosos. Os sacerdotes dos sete reinos estão pegando em armas e a guerra fez com que muitos templo e pessoas santas fossem conspurcados.
Cada vez mais eu vejo As Crônicas de Gelo e Fogo como uma paródia da vida real. Com os menos ideais distorcidos. Acredito que em algum momento essa Jihad se torne o foco principal da luta e ai, que os Sete nos protejam.