quarta-feira, 21 de março de 2012

Por que a prostituição sobrevive?

Dizem que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo.
Imagino quer deve ser também uma das profissões mais citadas na bíblia sagrada, uma das mais apelidadas e isso deve ser uma droga pras pobres profissionais do sexo, na maioria das vezes. Tirando essas garotas de programa de luxo, imagino que as mulheres acabem tendo que sair com qualquer homem que aparecer, não interessando a idade, o cheiro e a circunferência da barriga. Deve ser foda.
Mas, ainda é melhor do que roubar, certo?
Enfim, esses dias eu tive uma conversa e depois fiquei pensando sobre essa profissão e por que ela ainda está tão em evidência por ai. Imagino que antes dessa liberação sexual, as prostitutas tinham uma utilidade muito maior, pois era o meio de um homem conseguir fazer sexo sem ser casado, ou variar um pouquinho do arroz e feijão de casa.
Mas com a coisa toda da pílula, do sutiã, da mulher no mercado de trabalho e a tal maldita independência, as mulheres andam dando por ai com maior rapidez do que o homem pode arcar.
Então por que ainda existe esse filão do mercado que são as garotas de programa?
Eu pensei, pensei (isso que dá não ter nada pra fazer por muito tempo) e cheguei à conclusão de que a mulher nunca faz sexo de graça. NUNCA.
As vadias das festas cobram em bebidas, as pegajosas e obcecadas em atenção, as carentes em afetos e afagos...e as certinhas...ai fica muito mais caro.
Um homem que quer transar com uma mulher (sem pagar) tem que ter um local apropriado para a caça e mesmo assim não é certo que vá arrumar nada no fim da noite. Se for feio então, minha filha...esquece. Um cara que quer uma transa de uma noite tem que pagar por um motel e muitas vezes ainda dormir com a mulher depois, falar da vida, ouvir ( o que é pior ( nessa parte eu acho que sou homem)).
Um cara que sai com uma certinha (aquelas que selecionam quem levam para a cama) vai precisar no mínimo pagar um jantar, comprar uma camisa nova, pagar o motel, ouvir os papos e pelo menos fazer um esforço para mostrar para aquela mulher que ele é digno de uma trepada. Isso também pode ser um tiro no escuro, por que o cara pode:
- não conseguir a trepada
- conseguir e ela ser muito, muito ruim.
- conseguir e a mulher achar que os dois estão em um relacionamento.
Além do mais, quando um homem leva uma mulher para jantar eles têm que ter algum contato anterior, o que significa que ela, provavelmente, tem o telefone dele, e se ela for uma daquelas loucas pegajosas, bem, fudeu.
Isso sem contar as esposas. Homens que querem casar preparem-se para não ter mais vida própria, dinheiro seu, silêncio e paz. Você vai conquistar o direito de ter uma mulher que vai te dizer não, muitas vezes, em muitos casos, e vai controlar seu horário, seu dinheiro (e provavelmente detestar a sua mãe).
No fim acho que a prostituição é um meio mais barato, seguro de obter o que se compra e sem complicações desnecessárias de se obter sexo. Desde antes de Cristo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os deuses de Martin - Crônicas de Gelo e Fogo


As mitologias existentes nas Crônicas de Gelo e Fogo são excelentes.
Existem muitas terras, e com elas, vários deuses. Uma coisa que tenho notado, na leitura deste quarto livro é como a questão religiosa foi crescendo durante a trama.
Em GdGeF cada povo tem suas próprias crenças, e Martin consegue tratar essa situação de maneira muito interessante. Em vários aspectos, as diferenças religiosas são aceitas, ou pelo menos toleradas, mas com o desenvolvimento da história, como avanço da guerra, com as modificações de poder, as tolerâncias estão terminando.
Dois aspectos interessantes da religião em GoT são as ideias do Deus único e do Deus afogado.
Primeiramente podemos dizer que as crenças religiosas se adaptam ao local onde as pessoas vivem. Os deuses árvores com cara de coração são os reis do norte, onde existem florestas vastas e muitas árvores. O Deus Afogado é um deus do mar, adorado pelos moradores das ilhas de ferro.
Gosto muito da concepção do Deus Afogado. Ele se encaixa perfeitamente na maneira como os homens de ferro vivem. Através de seus sacerdotes (e o principal deles, Cabelo Molhado, é muitíssimo devoto) o Deus Afogado fala, e sua maneira de se comunicar é através das ondas. Fiquei muito surpresa com a maneira como Martin apresenta os rituais para o Deus Afogado. O povo das Ilhas de Ferro vive quase que exclusivamente do mar. Existem capitães e tripulação em centenas de navios. Um povo que vive do mar, não pode ter medo dele, e para isso os sacerdotes afogam os devotos, transformando-os em parte do mar. O ritual de afogamento e ressuscitação dá a ideia ao devoto de que ele sobreviveu ao mar. E que depois disso ele tem que temer outros perigos, mas não aquilo pelo que já passou. É uma ótima lavagem cerebral, uma concepção extremamente interessante e que se cerca de outras ideias também interessantes, como a de que o último lar de um devoto é embaixo do mar (literal e figurativamente). Um homem devoto terá seu lugar no reino embaixo do mar depois de sua morte terrena e por isso não tem que temer nunca a morte. Essa ideia religiosa funciona muito bem para criar homens destemidos para a guerra. Os homens de ferro são grandes lutadores.
Há outros deuses, e para mim o que é mais interessante é R'holor. Ele é o chamado deus único e seus sacerdotes são os mais intolerantes de todos os sete reinos. Na verdade os sacerdotes vermelhos incitam a intolerância e fazem guerra através do nome do deus. Nesta seita, existe o deus e seu oposto. A chama e luz e a escuridão. Lembra o que mesmo?
Um dos reis que está reclamando o reino é Stannis. Ele segue, um pouco a contra gosto acredito, Melissandre, que é uma sacerdotisa vermelha com poderes realmente grandes. Existe magia em Melissandre e ela deve essa magia (negra, ao meu ver) ao seu deus único. No momento Stannis usa em suas armas o símbolo do veado (que é o símbolo de sua casa) misturado com o vermelho do deus R'holor.
A batalha em GoT está cada vez mais focada em motivos religiosos. Os sacerdotes dos sete reinos estão pegando em armas e a guerra fez com que muitos templo e pessoas santas fossem conspurcados.
Cada vez mais eu vejo As Crônicas de Gelo e Fogo como uma paródia da vida real. Com os menos ideais distorcidos. Acredito que em algum momento essa Jihad se torne o foco principal da luta e ai, que os Sete nos protejam.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Abelhas e zumbidos – o socialismo e o entendimento de língua.


Ontem estava comentando com o meu namorado sobre o sensacional livro 1984 de George Orwell.  Ele ainda não leu e, na verdade, o papo chegou nele através de outro livro: O Manifesto Comunista, de Marx.
Ler O Manifesto hoje é poder olhar para a história e ver como as utopias são furadas. Tentar viver em uma sociedade socialista é negar a natureza do homem. As pessoas não são como as abelhas, que aceitam as suas funções sem reclamar. E também são muito egoístas para aceitar que não podem ter mais que as outras pessoas. O conceito de igualdade é assustador para todos, pois a única maneira que o ser humano conhece de se sentir especial é possuir coisas. Possuir bens, ou diplomas, ou vantagens. Em minha opinião, a natureza do homem já está tão mascarada no meio de todas as regras sociais, etiqueta, leis e convívio, que seria realmente impossível aplicar o socialismo em grande escala. Mas, temos alguns bons exemplos de pequenas sociedades que vivem bem com o modelo do socialismo, embora isso geralmente implique religião (o ópio do povo, meu Deus!!) ou ideologias – vide os hippies e os amish.
No livro de Orwell a sociedade é bem calminha, tranqüila e cumpridora de seus deveres. As pessoas são como abelhas, que vivem em função de fazer as coisas funcionarem. Claro que isso tem um preço, que é a falta de liberdade. Em tudo. Falta de liberdade de ir e vir, de falhar, de se expressar e de pensar.
O que me pegou em 1984 foi exatamente a maneira como Orwell conseguiu mostrar uma sociedade que aceita esse tipo de controle. Orwell não podou a liberdade de expressão da sociedade. Ele tirou essa capacidade das pessoas, tirando-lhe as palavras.
Eis que surge uma das ideias mais geniais que já li sobre controle social: a novilíngua.
A novilíngua consiste em restringir o significado das palavras, através de cortes de significado, composição de palavras e significados.
Um exemplo que acho genial é o que fizeram com certos adjetivos (aqui estou tomando certa licença por que não lembro quais são exatamente os termos). As palavras péssimo e maravilhoso são substituídas pelas palavras unbom e plusbom. Ou seja, o que existe é só a palavra para expressar qualidades que não são opostas entre si, mas tem significado totalmente diferente. Essa foi a maneira que o governo autoritarista de 1984 descobriu para  controlar toda uma sociedade.
As pessoas podem não pensar nisso nunca, mas o poder que as palavras exercem sobre tudo o que nos rodeia, é incrível. Cada coisa deve ser nomeada para passar a existir. Cada sentimento deve pode ser expressado por existir uma palavra que o defina. Até simples objetos deixariam de existir se não tivessem nome. Mesmo que o objeto estivesse ao alcance de sua vista, ele não existiria se não tivesse nome, pois se você não pode falar sobre ele, ele não está lá. O que Orwell faz é tirar qualquer significado das palavras. É tirar seu sentido de maneira que ao expressá-la, a palavra se torna vazia.
Imagine a língua como algo vivo, mutável, cheio de novas possibilidades. A língua não são só palavras. São gestos, tons de voz, escrituras, bordões. É língua é o que nos permitiu chegar aonde chegamos a termos de tecnologia, ciência, educação, política. Tudo se deve a língua e não aos polegares. Tudo se deve à nossa capacidade de nos perguntar de podemos fazer algo novo para facilitar as coisas, e só podemos nos perguntar através da língua.
Orwell quebra esse processo de pensamento quando reduz a língua ao simples ato de comunicar ideias simples. Quando não existem mais palavras para se expressar, o pensamento deixa de ser complexo. As ideias desaparecem e as vontades se vão com elas.
No mundo do Grande Irmão as pessoas estão presas em ideias pré estabelecidas das quais não podem fugir por não ter noção de que aquilo não é verdade absoluta. Um mundo pode ser completamente dominado, não a partir de guerras, mas pelo recurso de deixar as pessoas sem ter o que dizer.
Voltando às pequenas células do socialismo, ele só funciona em pequena escala por que ele precisa de isolamento de ideias. Quando as pessoas são guiadas por uma religião ou ideologia, aquilo tem sentido maior do que qualquer coisa ao seu redor. Um grupo alienado das mudanças constantes do mundo pode viver como uma colméia. E em paz.
Então fica a pergunta: melhor viver em guerra e poder pensar livremente, ou viver em paz, e não pensar?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pacto com a fantasia

Eu ando muito viajada com umas coisas que me sugeriram, e acabei percebendo que, muitas vezes, nós só vemos do mundo o que as outras pessoas querem que vejamos e esquecemos de ampliar nossos horizontes até onde só pessoas um pouco mais iluminadas vão.
É interessante perceber, em meio a conversas, como nós mesmos podemos nos limitar e pensar como uma colônia, apesar de sermos chamados de indivíduos.
Cada vez mais, percebo que as coisas individuais são muito raras e que a maioria das pessoas, eu inclusa, estou mais para o senso comum.
Decidi, dentro do meu senso comum, começar pegar coisas que aparentemente são simples, e chegar um pouco mais à fundo nelas. E comecei pensar em como nós entendemos o mundo de maneiras diferentes, dependendo de quem nos fala. Como um texto pode ser tão amoral (terrível, grotesco) e ter todo seu sentido amenizado por um contexto.
Um exemplo simples: um adulto, pingando cloro nos olhos de um animal amarrado pode ser uma cena absurdamente doentia e horrenda, mas, se isso for feito em um laboratório, está ok.
Partindo desse principio, comecei pensar em uma história que assisti, em um seriado muito ruim (que eu guardo para os dias de tédio) em que adolescentes de rua eram sequestrados, tinham seus órgãos e sangue retirados para ser vendidos como potencializadores sexuais e de saúde num mercado bem especifico, e depois eram queimados em fossas mortuárias.
Já li sobre muitas histórias macabras na minha vida, e a maioria é de casos reais, mesmo que sejam transformados depois em ficção. Essa história, particularmente, me lembra muitos dos procedimentos utilizados durante o Holocausto. Existe um grande distanciamento entre as pessoas e o Holocausto, por que o horror desse evento foi tão absurdo que a maioria das pessoas não consegue assimilar tudo o que aconteceu. Apesar da documentação, fotografias e histórias dos aliados e dos sobreviventes, admitir racionalmente o horror desse evento é muito difícil para qualquer pessoa, por que esse ato não foi imposto por um pequeno grupo de membros, mas por toda uma nação. E à uma raça inteira.
Voltando aos adolescentes estripados, assisti ao episódio de Grimm sem nenhuma sensação incômoda. Por quê?
Bom, os seqüestradores/assassinos eram criaturas fantásticas.
Você tem que dar um crédito para criaturas fantásticas.
Inserir termos fantasiosos em uma história dá a ela algumas imunidades. É mais ou menos como no Mundo da Lua, do Lucas Silva e Silva, onde tudo pode acontecer.
A partir do momento em que a ferramenta do fantástico é usado em um texto, ele se torna passível de tudo, qualquer coisa que acontecer no desenrolar da história pode ser considerada comum, já que não há nada de comum na história. Então, assassinos que vendem pedaços humanos e descartam o resto sem nenhum respeito, passam a ser considerados “seguidores de instintos ou de tradições” e deixam de ser o que são, assassinos de crianças. Isso por que o espectador/leitor consegue entender como a mentalidade daquele personagem funciona. O receptor se IDENTIFICA com o assassino, com a desculpa de que ele é um ser fantástico e que aquele comportamento está em seu DNA. (não me surpreende o Holocausto, quando os arianos nazistas simplesmente fizeram o que fizeram tomando a tortura e assassinato como obrigação, se distanciando sentimentalmente daquele ato).
Enfim, achei muito interessante a proposta de Grimm (embora eles não devam saber o que estão fazendo) em colocar situações grotescas em um cotidiano fantástico (não tenho certeza que posso usar as palavras cotidiano e fantástico na mesma frase).
Essa é uma das funções do texto de fantasia: tornar tudo possível. A partir do momento em que o leitor/espectador se vê no meio de um texto fantástico ele perde toda a necessidade de racionalizar as pequenas coisas. Um texto de fantasia é um acordo entre autor e leitor, para que o entendimento possa acontecer. Para que um texto fantástico seja lido, ele não tem que ser, primeiramente, entendido. Tem que ser aceito. O leitor e o texto têm que criar um vinculo, para que as situações que estiverem sendo apresentadas não causem uma estranheza tão grande que o texto não possa ser terminado. Para que um leitor aceite um texto fantasioso, ele deve se despir de todas as suas racionalizações e pragmatismo e tornar real a ideia de que tudo pode acontecer enquanto estiver com aquela obra em mãos.
Talvez seja ai que resida o encantamento dos contos de fadas para crianças. As crianças não têm que fazer um pacto com o texto. Para os pequenos o texto é apenas o que ele é: uma verdade absoluta. O conto de fadas, o texto, é parte da alma infantil, parte de sua imaginação e de sua verdade. O conto de fadas é apenas a materialização em palavras do que a crianças tem como real.
Com o adulto acontece o mesmo, mas como somos “racionais” e “senhores de nós mesmos” precisamos de um pacto para que, quando o livro for fechado, as letrinhas dos créditos subirem, voltemos para a vida real.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Terror cotidiano (Radio Flyer)

Ainda não sei bem sobre o que Radio Flyer é.
Uma história sobre abuso doméstico, sobre sonhos de criança, sobre amor fraterno e de filho para mãe. O que sei é que Radio Flyer é uma história terrível, triste e diabólica. Mas é também uma bela história.
O filme é de 1992, eu tinha 9 anos na época, mais ou menos a idade do ator principal e acho que de todos os filmes que assisti na minha infância, esse foi o mais triste.
É a história de dois irmãos que, juntamente com a mãe e o pastor alemão Shane, se mudam para a Califórnia depois que o pai das crianças os abandona. Eles são unidos, apesar de muito pobres, e com o tempo a mãe conhece e se casa com outro homem, que gosta que os garotos o chamem de Rei.
Rei gosta de beber e espancar o irmão mais novo, Bobby, com um fio de extensão, então os irmãos decidem que Bobby deve fugir antes de ser morto pelo padrasto.
O filme mostra como Bobby e Mike (o irmão mais velho, de talvez 10 anos) escondem da mãe os espancamentos, para que ela se sinta feliz. Também mostra como os meninos ficam brincando o dia todo fora de casa, para evitar a ira do Rei. Uma das particularidades interessantes do filme é a maneira como nós, telespectadores, ficamos tensos quando Rei aparece bebendo. E ouvindo música country. Nós sabemos que alguma coisa vai acontecer com aquelas crianças adoráveis quando chegarem em casa e isso é de tirar o fôlego.
Radio Flyer é mais um daqueles filmes que faz parte da minha infância e esse eu decidi que podia, de bom grado, dividir com meu filho. Hoje ele tem mais ou menos a mesma idade de Mike na história, a mesma idade com que eu vi o filme. E ele teve a mesma reação que eu, ao assistí-lo. Ele ficou aflito.

Acho que essa reação é causada pela impotência que sentimos ao presenciar o abuso que acontece naquela casa, mesmo que as cenas de violência não sejam explícitas. Há uma cena em que Mike sai com outras crianças da rua, uma meia dúzia de moleques, e é espancado por eles, ao mesmo tempo em que Bobby leva uma surra de Rei em casa, a surra que o leva ao hospital. Nós vemos Mike apanhando, mas não vemos Rei bater em Bobby. Mesmo assim nossa preocupação está sempre com Bobby.
No final os meninos constroem um avião com um carrinho de mão, da marca Radio Flyer. E Bobby escapa do padrasto, passando a mandar cartões postais para a mãe e o irmão, enquanto Rei é preso.
Esse post poderia acabar aqui, se não fosse meu amigo @mbrambilla começar discutir esse filme com uma amiga na internet e acabar me mostrando esse post aqui.
Há duas teorias muito interessantes neste filme que com certeza fogem dos olhos de uma criança. O filme é contado por Mike, para os próprios filhos, quando ele já é adulto. Nessa idade, Mike é interpretado por Tom Hanks e ele diz para seus dois filhos que a história está na cabeça de quem conta e que ele gosta de lembrar-se de Bobby assim. Uma das teorias que apareceu por ai é que Bobby seria uma invenção da imaginação de Mike para fugir dos terrores que aconteciam com ele nas mãos de Rei. Sustentam essa teoria falando que a interação de Bobby com os outros personagens é mínima. Não consigo acreditar nisso. Mike e Bobby são reais, no meu ponto de vista. Os dois participam da história na mesma proporção.
A outra possibilidade, pra mim muito mais real (e que me deu um choque) é que Bobby morreu durante a infância. Aí existe a possibilidade de ele ter morrido durante a fuga, ou de ter sido pelas mãos de Rei. Acredito na segunda hipótese. Acredito que a surra que levou Bobby para o hospital o matou e que a maneira como Mike lidou com isso foi inventando para si mesmo a história do avião, e da viagem, a mesma história que ele passou para os filhos. Mike se sentia responsável pelo irmão mais novo e quando ele se foi, teve que arrumar um jeito de manter a promessa que tinha feito para si mesmo de cuidar do garoto.
No final das contas, a história que me deixou triste na infância só fica mais trágica.
Finalmente queria deixar claro que o que também me incomodou no filme foi o padrasto batendo no cachorro. Não se bate em cachorros, peloamordedeus. O bicho era maravilhoso, corajoso, fofo e companheiro. Fiquei chocada.
E mais uma coisa. Esse foi o filme que me fez descobrir minha primeira paixonite. Sim, eu amei o Elijah Wood por uns bons anos da minha vida, com aquela carinha de anjo e os olhos azuis. Fio um romance longo, desde Radio Flyer e Anjo Malvado até Impacto Profundo. Mas quando ele interpretou o Frodo, com certeza isso acabou para sempre...aquela barriguinha.
E por último os sete segredos mágicos de fascinações e habilidades que as crianças conhecem, mas esquecem lá pelos 12 ou 13 anos:
    Os animais podem falar.
    Seu cobertor favorito tem um tecido de uma fábrica tão poderosa que, quando colocado sobre a cabeça, se torna um impenetrável campo de força.
    Nada é pesado para se levantar, com a ajuda de uma capa.
    Sua mão possui no dedão uma verdadeira arma de fogo.
    Pular de qualquer altura com um guarda-chuva é completamente seguro.
    Monstros existem, podem ser vistos e você pode enfrentá-los com eles.
    Você tem a habilidade de voar.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ah, os livros...

Amo os livros. Já disse várias vezes que foram as histórias e os livros que me fizeram quem eu sou, para a sorte de uns e o azar de outros.
Já falei aqui sobre meu amor pelas histórias e como me sinto quando mergulho em uma das boas. Estou sempre procurando mergulhar.
Algumas pessoas pegam no meu pé pelas minhas escolhas de autores, mas eu tenho que dizer que, às vezes, não é a forma como o escritor escreve que me encanta. Algumas vezes ele só precisa ser UM BOM CONTADOR DE HISTÓRIAS.
Se envolver com uma história não é analisar a forma como ela foi escrita (se bem que admito que uma das coisas que me faz desistir de um livro rapidinho é a estrutura fraca, o dialogo ruim), mas mergulhar no que está sendo dito. Talvez seja por isso que fujo de alguns textos. Podem ter uma estrutura narrativa linda, mas pouco dizem que me interessa.
Um dos autores que mais me encantaram no fim da minha adolescência foi Dickens. Adoro suas histórias. Fico pensando em como ele foi um escritor pop na sua época, com todos ansiosos em ler seu último folhetim, e como suas histórias tiveram significado na época. E tem até hoje. Dickens é um caso interessante na literatura, pelo menos no meu ponto de vista, por que ele conseguiu escrever sobre sua época, mas com tal sentimento e também uma pitada de “moral da história” que os seus textos têm até hoje um charme interessante. Quem lê Oliver Twist hoje se identifica com o pequeno órfão e consegue transportá-lo para os problemas sociais atuais, que são tão diferentes dos da Inglaterra no século 19.
Esse é um dos encantos da literatura.
Tenho uma aluna, de uns 15 anos, que é louca pela Jane Austen.  Conhece mais que eu. E se identifica com as heroínas. E sofre de amor. É interessante ver o que essa menina tira de Austen. Não é, de forma alguma, o mesmo que eu, por exemplo. Ela suspira com Darcy, enquanto eu prefiro somente odiar Lydia de morte.
No frigir dos ovos, existem obras, maneiras de escrevê-las, forma de contá-las. E existe o leitor. E esse faz toda a diferença. A idade, o local onde nasceu, a experiência de vida, a criação, a religião e os valores faz com que cada leitor leia uma história diferente.
O enredo principal é sempre o mesmo? Nem isso.
Pra uns, Orgulho e Preconceito fala sobre o pensamento feminino, para outros é uma história de amor, pra mim, é uma história familiar. Mas já foi uma história de amor, quando eu li o livro pela primeira vez, e sobre o papel feminino na sociedade quando estava na faculdade. Eu mudei. O livro é o mesmo.
Por isso que, quando as pessoas criticam meu gosto para livros, eu fico na minha. Não leio os livros pela estética da narrativa, embora isso faça sim, diferença. Mas nem todo livro bem escrito é bom, e nem todo best-seller é mal escrito.
Quando me envolvo, em envolvo com o personagem, com as situações, com aquilo com o que me identifico. Já me disseram que eu leio para fugir da realidade chata. Pode ser. Mas já que eu tenho que fugir da vida real, vou para um lugar melhor, em que os heróis superam as dificuldades, roubam dos pobres para dar aos ricos, matam dragões e leões e monstros.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Gigantes de Aço ( Real Steel)

I can’t hear you over the sound of your robot being destroied!

Estou em crise de identidade. Com quase 30 anos nas costas eu ando me sentindo empática com seres bem diferentes uns dos outros. Umas semanas atrás eu estava apoiando a causa do macaco Ceaser (aqui) e agora me identifiquei com um robô.
Oh! Do eu essa louca está falando agora?
Não, meu filho, não é do Wall-E, se bem que eu também curti aquele robozinho...estou falando de ATOM.
O ano é 2020 e as pessoas queriam lutas de boxe mais violentas, então desenvolveram robôs para lutarem no lugar dos humanos. Sim, um novo esporte, com liga e tudo, veiculado pela ESPN e, muito, muito legal.
Estou falando de Gigantes de Aço, um filme do qual eu nem tinha ouvido falar até uns dias atrás e fui ver depois de uma indicação do Plederson. Adorei!
É a história de um pai que nunca tinha visto o filho de 11 anos e tem que ficar com ele por uns dias depois da morte da mãe. O pai é o Wolverine (Hugh Jackman ), um gostoso, na minha opinião, e o filho é o Thor quando pequeno, no filme, Max, e eu o chamei de filho da puta umas vinte vezes durante o filme e TODAS com admiuração por que o moleque é a crinaça mais topetuda e fodidamente segura que eu já vi.
Max (Dakota Goyo) me conquistou com suas atitudes e com o rostinho fofo.
Gigantes de Aço não é um filme profundo. Não é um roteiro original (metade dele é copiado de Rocky e a outra metade de A Procura de Felicidade), não tem nada de extraordinário na história, MAS TEM ROBÔS!!!!!
O personagem Atom é um robô de geração antiga que foi encontrado por Max no ferro velho. Ele é old, mas tem um diferencial: uma função sombra. Ele é capaz de reproduzir todos os movimentos de um humano. E Max cria com ele uma relação de amizade. Ele acredita que Atom entende o que ele diz, e tem certos sentimentos...
Vale totalmente a pena ver esse filme, se divertir com as lutas, se encantar com o garotinho, olhar o gostoso do Wolverine e sentir aquela coisinha bacana, sensação de que alguém está chutando algumas bundas.

Uma luta: