sexta-feira, 2 de março de 2012

Abelhas e zumbidos – o socialismo e o entendimento de língua.


Ontem estava comentando com o meu namorado sobre o sensacional livro 1984 de George Orwell.  Ele ainda não leu e, na verdade, o papo chegou nele através de outro livro: O Manifesto Comunista, de Marx.
Ler O Manifesto hoje é poder olhar para a história e ver como as utopias são furadas. Tentar viver em uma sociedade socialista é negar a natureza do homem. As pessoas não são como as abelhas, que aceitam as suas funções sem reclamar. E também são muito egoístas para aceitar que não podem ter mais que as outras pessoas. O conceito de igualdade é assustador para todos, pois a única maneira que o ser humano conhece de se sentir especial é possuir coisas. Possuir bens, ou diplomas, ou vantagens. Em minha opinião, a natureza do homem já está tão mascarada no meio de todas as regras sociais, etiqueta, leis e convívio, que seria realmente impossível aplicar o socialismo em grande escala. Mas, temos alguns bons exemplos de pequenas sociedades que vivem bem com o modelo do socialismo, embora isso geralmente implique religião (o ópio do povo, meu Deus!!) ou ideologias – vide os hippies e os amish.
No livro de Orwell a sociedade é bem calminha, tranqüila e cumpridora de seus deveres. As pessoas são como abelhas, que vivem em função de fazer as coisas funcionarem. Claro que isso tem um preço, que é a falta de liberdade. Em tudo. Falta de liberdade de ir e vir, de falhar, de se expressar e de pensar.
O que me pegou em 1984 foi exatamente a maneira como Orwell conseguiu mostrar uma sociedade que aceita esse tipo de controle. Orwell não podou a liberdade de expressão da sociedade. Ele tirou essa capacidade das pessoas, tirando-lhe as palavras.
Eis que surge uma das ideias mais geniais que já li sobre controle social: a novilíngua.
A novilíngua consiste em restringir o significado das palavras, através de cortes de significado, composição de palavras e significados.
Um exemplo que acho genial é o que fizeram com certos adjetivos (aqui estou tomando certa licença por que não lembro quais são exatamente os termos). As palavras péssimo e maravilhoso são substituídas pelas palavras unbom e plusbom. Ou seja, o que existe é só a palavra para expressar qualidades que não são opostas entre si, mas tem significado totalmente diferente. Essa foi a maneira que o governo autoritarista de 1984 descobriu para  controlar toda uma sociedade.
As pessoas podem não pensar nisso nunca, mas o poder que as palavras exercem sobre tudo o que nos rodeia, é incrível. Cada coisa deve ser nomeada para passar a existir. Cada sentimento deve pode ser expressado por existir uma palavra que o defina. Até simples objetos deixariam de existir se não tivessem nome. Mesmo que o objeto estivesse ao alcance de sua vista, ele não existiria se não tivesse nome, pois se você não pode falar sobre ele, ele não está lá. O que Orwell faz é tirar qualquer significado das palavras. É tirar seu sentido de maneira que ao expressá-la, a palavra se torna vazia.
Imagine a língua como algo vivo, mutável, cheio de novas possibilidades. A língua não são só palavras. São gestos, tons de voz, escrituras, bordões. É língua é o que nos permitiu chegar aonde chegamos a termos de tecnologia, ciência, educação, política. Tudo se deve a língua e não aos polegares. Tudo se deve à nossa capacidade de nos perguntar de podemos fazer algo novo para facilitar as coisas, e só podemos nos perguntar através da língua.
Orwell quebra esse processo de pensamento quando reduz a língua ao simples ato de comunicar ideias simples. Quando não existem mais palavras para se expressar, o pensamento deixa de ser complexo. As ideias desaparecem e as vontades se vão com elas.
No mundo do Grande Irmão as pessoas estão presas em ideias pré estabelecidas das quais não podem fugir por não ter noção de que aquilo não é verdade absoluta. Um mundo pode ser completamente dominado, não a partir de guerras, mas pelo recurso de deixar as pessoas sem ter o que dizer.
Voltando às pequenas células do socialismo, ele só funciona em pequena escala por que ele precisa de isolamento de ideias. Quando as pessoas são guiadas por uma religião ou ideologia, aquilo tem sentido maior do que qualquer coisa ao seu redor. Um grupo alienado das mudanças constantes do mundo pode viver como uma colméia. E em paz.
Então fica a pergunta: melhor viver em guerra e poder pensar livremente, ou viver em paz, e não pensar?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pacto com a fantasia

Eu ando muito viajada com umas coisas que me sugeriram, e acabei percebendo que, muitas vezes, nós só vemos do mundo o que as outras pessoas querem que vejamos e esquecemos de ampliar nossos horizontes até onde só pessoas um pouco mais iluminadas vão.
É interessante perceber, em meio a conversas, como nós mesmos podemos nos limitar e pensar como uma colônia, apesar de sermos chamados de indivíduos.
Cada vez mais, percebo que as coisas individuais são muito raras e que a maioria das pessoas, eu inclusa, estou mais para o senso comum.
Decidi, dentro do meu senso comum, começar pegar coisas que aparentemente são simples, e chegar um pouco mais à fundo nelas. E comecei pensar em como nós entendemos o mundo de maneiras diferentes, dependendo de quem nos fala. Como um texto pode ser tão amoral (terrível, grotesco) e ter todo seu sentido amenizado por um contexto.
Um exemplo simples: um adulto, pingando cloro nos olhos de um animal amarrado pode ser uma cena absurdamente doentia e horrenda, mas, se isso for feito em um laboratório, está ok.
Partindo desse principio, comecei pensar em uma história que assisti, em um seriado muito ruim (que eu guardo para os dias de tédio) em que adolescentes de rua eram sequestrados, tinham seus órgãos e sangue retirados para ser vendidos como potencializadores sexuais e de saúde num mercado bem especifico, e depois eram queimados em fossas mortuárias.
Já li sobre muitas histórias macabras na minha vida, e a maioria é de casos reais, mesmo que sejam transformados depois em ficção. Essa história, particularmente, me lembra muitos dos procedimentos utilizados durante o Holocausto. Existe um grande distanciamento entre as pessoas e o Holocausto, por que o horror desse evento foi tão absurdo que a maioria das pessoas não consegue assimilar tudo o que aconteceu. Apesar da documentação, fotografias e histórias dos aliados e dos sobreviventes, admitir racionalmente o horror desse evento é muito difícil para qualquer pessoa, por que esse ato não foi imposto por um pequeno grupo de membros, mas por toda uma nação. E à uma raça inteira.
Voltando aos adolescentes estripados, assisti ao episódio de Grimm sem nenhuma sensação incômoda. Por quê?
Bom, os seqüestradores/assassinos eram criaturas fantásticas.
Você tem que dar um crédito para criaturas fantásticas.
Inserir termos fantasiosos em uma história dá a ela algumas imunidades. É mais ou menos como no Mundo da Lua, do Lucas Silva e Silva, onde tudo pode acontecer.
A partir do momento em que a ferramenta do fantástico é usado em um texto, ele se torna passível de tudo, qualquer coisa que acontecer no desenrolar da história pode ser considerada comum, já que não há nada de comum na história. Então, assassinos que vendem pedaços humanos e descartam o resto sem nenhum respeito, passam a ser considerados “seguidores de instintos ou de tradições” e deixam de ser o que são, assassinos de crianças. Isso por que o espectador/leitor consegue entender como a mentalidade daquele personagem funciona. O receptor se IDENTIFICA com o assassino, com a desculpa de que ele é um ser fantástico e que aquele comportamento está em seu DNA. (não me surpreende o Holocausto, quando os arianos nazistas simplesmente fizeram o que fizeram tomando a tortura e assassinato como obrigação, se distanciando sentimentalmente daquele ato).
Enfim, achei muito interessante a proposta de Grimm (embora eles não devam saber o que estão fazendo) em colocar situações grotescas em um cotidiano fantástico (não tenho certeza que posso usar as palavras cotidiano e fantástico na mesma frase).
Essa é uma das funções do texto de fantasia: tornar tudo possível. A partir do momento em que o leitor/espectador se vê no meio de um texto fantástico ele perde toda a necessidade de racionalizar as pequenas coisas. Um texto de fantasia é um acordo entre autor e leitor, para que o entendimento possa acontecer. Para que um texto fantástico seja lido, ele não tem que ser, primeiramente, entendido. Tem que ser aceito. O leitor e o texto têm que criar um vinculo, para que as situações que estiverem sendo apresentadas não causem uma estranheza tão grande que o texto não possa ser terminado. Para que um leitor aceite um texto fantasioso, ele deve se despir de todas as suas racionalizações e pragmatismo e tornar real a ideia de que tudo pode acontecer enquanto estiver com aquela obra em mãos.
Talvez seja ai que resida o encantamento dos contos de fadas para crianças. As crianças não têm que fazer um pacto com o texto. Para os pequenos o texto é apenas o que ele é: uma verdade absoluta. O conto de fadas, o texto, é parte da alma infantil, parte de sua imaginação e de sua verdade. O conto de fadas é apenas a materialização em palavras do que a crianças tem como real.
Com o adulto acontece o mesmo, mas como somos “racionais” e “senhores de nós mesmos” precisamos de um pacto para que, quando o livro for fechado, as letrinhas dos créditos subirem, voltemos para a vida real.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Terror cotidiano (Radio Flyer)

Ainda não sei bem sobre o que Radio Flyer é.
Uma história sobre abuso doméstico, sobre sonhos de criança, sobre amor fraterno e de filho para mãe. O que sei é que Radio Flyer é uma história terrível, triste e diabólica. Mas é também uma bela história.
O filme é de 1992, eu tinha 9 anos na época, mais ou menos a idade do ator principal e acho que de todos os filmes que assisti na minha infância, esse foi o mais triste.
É a história de dois irmãos que, juntamente com a mãe e o pastor alemão Shane, se mudam para a Califórnia depois que o pai das crianças os abandona. Eles são unidos, apesar de muito pobres, e com o tempo a mãe conhece e se casa com outro homem, que gosta que os garotos o chamem de Rei.
Rei gosta de beber e espancar o irmão mais novo, Bobby, com um fio de extensão, então os irmãos decidem que Bobby deve fugir antes de ser morto pelo padrasto.
O filme mostra como Bobby e Mike (o irmão mais velho, de talvez 10 anos) escondem da mãe os espancamentos, para que ela se sinta feliz. Também mostra como os meninos ficam brincando o dia todo fora de casa, para evitar a ira do Rei. Uma das particularidades interessantes do filme é a maneira como nós, telespectadores, ficamos tensos quando Rei aparece bebendo. E ouvindo música country. Nós sabemos que alguma coisa vai acontecer com aquelas crianças adoráveis quando chegarem em casa e isso é de tirar o fôlego.
Radio Flyer é mais um daqueles filmes que faz parte da minha infância e esse eu decidi que podia, de bom grado, dividir com meu filho. Hoje ele tem mais ou menos a mesma idade de Mike na história, a mesma idade com que eu vi o filme. E ele teve a mesma reação que eu, ao assistí-lo. Ele ficou aflito.

Acho que essa reação é causada pela impotência que sentimos ao presenciar o abuso que acontece naquela casa, mesmo que as cenas de violência não sejam explícitas. Há uma cena em que Mike sai com outras crianças da rua, uma meia dúzia de moleques, e é espancado por eles, ao mesmo tempo em que Bobby leva uma surra de Rei em casa, a surra que o leva ao hospital. Nós vemos Mike apanhando, mas não vemos Rei bater em Bobby. Mesmo assim nossa preocupação está sempre com Bobby.
No final os meninos constroem um avião com um carrinho de mão, da marca Radio Flyer. E Bobby escapa do padrasto, passando a mandar cartões postais para a mãe e o irmão, enquanto Rei é preso.
Esse post poderia acabar aqui, se não fosse meu amigo @mbrambilla começar discutir esse filme com uma amiga na internet e acabar me mostrando esse post aqui.
Há duas teorias muito interessantes neste filme que com certeza fogem dos olhos de uma criança. O filme é contado por Mike, para os próprios filhos, quando ele já é adulto. Nessa idade, Mike é interpretado por Tom Hanks e ele diz para seus dois filhos que a história está na cabeça de quem conta e que ele gosta de lembrar-se de Bobby assim. Uma das teorias que apareceu por ai é que Bobby seria uma invenção da imaginação de Mike para fugir dos terrores que aconteciam com ele nas mãos de Rei. Sustentam essa teoria falando que a interação de Bobby com os outros personagens é mínima. Não consigo acreditar nisso. Mike e Bobby são reais, no meu ponto de vista. Os dois participam da história na mesma proporção.
A outra possibilidade, pra mim muito mais real (e que me deu um choque) é que Bobby morreu durante a infância. Aí existe a possibilidade de ele ter morrido durante a fuga, ou de ter sido pelas mãos de Rei. Acredito na segunda hipótese. Acredito que a surra que levou Bobby para o hospital o matou e que a maneira como Mike lidou com isso foi inventando para si mesmo a história do avião, e da viagem, a mesma história que ele passou para os filhos. Mike se sentia responsável pelo irmão mais novo e quando ele se foi, teve que arrumar um jeito de manter a promessa que tinha feito para si mesmo de cuidar do garoto.
No final das contas, a história que me deixou triste na infância só fica mais trágica.
Finalmente queria deixar claro que o que também me incomodou no filme foi o padrasto batendo no cachorro. Não se bate em cachorros, peloamordedeus. O bicho era maravilhoso, corajoso, fofo e companheiro. Fiquei chocada.
E mais uma coisa. Esse foi o filme que me fez descobrir minha primeira paixonite. Sim, eu amei o Elijah Wood por uns bons anos da minha vida, com aquela carinha de anjo e os olhos azuis. Fio um romance longo, desde Radio Flyer e Anjo Malvado até Impacto Profundo. Mas quando ele interpretou o Frodo, com certeza isso acabou para sempre...aquela barriguinha.
E por último os sete segredos mágicos de fascinações e habilidades que as crianças conhecem, mas esquecem lá pelos 12 ou 13 anos:
    Os animais podem falar.
    Seu cobertor favorito tem um tecido de uma fábrica tão poderosa que, quando colocado sobre a cabeça, se torna um impenetrável campo de força.
    Nada é pesado para se levantar, com a ajuda de uma capa.
    Sua mão possui no dedão uma verdadeira arma de fogo.
    Pular de qualquer altura com um guarda-chuva é completamente seguro.
    Monstros existem, podem ser vistos e você pode enfrentá-los com eles.
    Você tem a habilidade de voar.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ah, os livros...

Amo os livros. Já disse várias vezes que foram as histórias e os livros que me fizeram quem eu sou, para a sorte de uns e o azar de outros.
Já falei aqui sobre meu amor pelas histórias e como me sinto quando mergulho em uma das boas. Estou sempre procurando mergulhar.
Algumas pessoas pegam no meu pé pelas minhas escolhas de autores, mas eu tenho que dizer que, às vezes, não é a forma como o escritor escreve que me encanta. Algumas vezes ele só precisa ser UM BOM CONTADOR DE HISTÓRIAS.
Se envolver com uma história não é analisar a forma como ela foi escrita (se bem que admito que uma das coisas que me faz desistir de um livro rapidinho é a estrutura fraca, o dialogo ruim), mas mergulhar no que está sendo dito. Talvez seja por isso que fujo de alguns textos. Podem ter uma estrutura narrativa linda, mas pouco dizem que me interessa.
Um dos autores que mais me encantaram no fim da minha adolescência foi Dickens. Adoro suas histórias. Fico pensando em como ele foi um escritor pop na sua época, com todos ansiosos em ler seu último folhetim, e como suas histórias tiveram significado na época. E tem até hoje. Dickens é um caso interessante na literatura, pelo menos no meu ponto de vista, por que ele conseguiu escrever sobre sua época, mas com tal sentimento e também uma pitada de “moral da história” que os seus textos têm até hoje um charme interessante. Quem lê Oliver Twist hoje se identifica com o pequeno órfão e consegue transportá-lo para os problemas sociais atuais, que são tão diferentes dos da Inglaterra no século 19.
Esse é um dos encantos da literatura.
Tenho uma aluna, de uns 15 anos, que é louca pela Jane Austen.  Conhece mais que eu. E se identifica com as heroínas. E sofre de amor. É interessante ver o que essa menina tira de Austen. Não é, de forma alguma, o mesmo que eu, por exemplo. Ela suspira com Darcy, enquanto eu prefiro somente odiar Lydia de morte.
No frigir dos ovos, existem obras, maneiras de escrevê-las, forma de contá-las. E existe o leitor. E esse faz toda a diferença. A idade, o local onde nasceu, a experiência de vida, a criação, a religião e os valores faz com que cada leitor leia uma história diferente.
O enredo principal é sempre o mesmo? Nem isso.
Pra uns, Orgulho e Preconceito fala sobre o pensamento feminino, para outros é uma história de amor, pra mim, é uma história familiar. Mas já foi uma história de amor, quando eu li o livro pela primeira vez, e sobre o papel feminino na sociedade quando estava na faculdade. Eu mudei. O livro é o mesmo.
Por isso que, quando as pessoas criticam meu gosto para livros, eu fico na minha. Não leio os livros pela estética da narrativa, embora isso faça sim, diferença. Mas nem todo livro bem escrito é bom, e nem todo best-seller é mal escrito.
Quando me envolvo, em envolvo com o personagem, com as situações, com aquilo com o que me identifico. Já me disseram que eu leio para fugir da realidade chata. Pode ser. Mas já que eu tenho que fugir da vida real, vou para um lugar melhor, em que os heróis superam as dificuldades, roubam dos pobres para dar aos ricos, matam dragões e leões e monstros.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Gigantes de Aço ( Real Steel)

I can’t hear you over the sound of your robot being destroied!

Estou em crise de identidade. Com quase 30 anos nas costas eu ando me sentindo empática com seres bem diferentes uns dos outros. Umas semanas atrás eu estava apoiando a causa do macaco Ceaser (aqui) e agora me identifiquei com um robô.
Oh! Do eu essa louca está falando agora?
Não, meu filho, não é do Wall-E, se bem que eu também curti aquele robozinho...estou falando de ATOM.
O ano é 2020 e as pessoas queriam lutas de boxe mais violentas, então desenvolveram robôs para lutarem no lugar dos humanos. Sim, um novo esporte, com liga e tudo, veiculado pela ESPN e, muito, muito legal.
Estou falando de Gigantes de Aço, um filme do qual eu nem tinha ouvido falar até uns dias atrás e fui ver depois de uma indicação do Plederson. Adorei!
É a história de um pai que nunca tinha visto o filho de 11 anos e tem que ficar com ele por uns dias depois da morte da mãe. O pai é o Wolverine (Hugh Jackman ), um gostoso, na minha opinião, e o filho é o Thor quando pequeno, no filme, Max, e eu o chamei de filho da puta umas vinte vezes durante o filme e TODAS com admiuração por que o moleque é a crinaça mais topetuda e fodidamente segura que eu já vi.
Max (Dakota Goyo) me conquistou com suas atitudes e com o rostinho fofo.
Gigantes de Aço não é um filme profundo. Não é um roteiro original (metade dele é copiado de Rocky e a outra metade de A Procura de Felicidade), não tem nada de extraordinário na história, MAS TEM ROBÔS!!!!!
O personagem Atom é um robô de geração antiga que foi encontrado por Max no ferro velho. Ele é old, mas tem um diferencial: uma função sombra. Ele é capaz de reproduzir todos os movimentos de um humano. E Max cria com ele uma relação de amizade. Ele acredita que Atom entende o que ele diz, e tem certos sentimentos...
Vale totalmente a pena ver esse filme, se divertir com as lutas, se encantar com o garotinho, olhar o gostoso do Wolverine e sentir aquela coisinha bacana, sensação de que alguém está chutando algumas bundas.

Uma luta:



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

12 Macacos

There’s no right, no wrong, just popular opinion. (Jeffrey ??)
Você acredita em germes?
Estava vendo Os 12 Macacos, e tenho que admitir, fiquei com medo de estar vivendo uma alucinação e acordar em um hospital psiquiátrico qualquer, percebendo que sofro de alguma doença maluca...Brad Pitt me deixou tão paranóica quanto ele.  Mas vamos ao filme...
Maybe I’m just in your head é a frase que James Cole ouve quando volta para o seu tempo no futuro.
Resolvi assistir aOs 12 Macacos um tempo atrás e acabei descobrindo que de alguma forma eu tinha esse DVD em casa. Então, se algum de vocês for o dono do filme, reclame-o.
O filme é futurista, passa-se mais ou menos em 2025.
A maioria dos humanos morreu por causa de um vírus e os animais voltaram a dominar a Terra. Menos de um por cento da população sobreviveu e esses vivem no subsolo.
Além do visual steampunk do novo mundo subterrâneo, e das autoridades que aparecem, não temos mais muita informação sobre o que acontece lá. Em nenhum momento temos qualquer vislumbre dessa sociedade. A não ser a cadeia. Bruce Willis é um prisioneiro que, voluntariamente, sobre à superfície terrestre para apanhar espécimes, com o risco de ser contaminado.
É considerado o melhor batedor do lugar, então as autoridades dessa nova realidade o mandam para o passado para ter uma amostra do vírus, para um antídoto. Só que ele é mandado para o ano errado e jogado em hospício. E lá ele conhece Jeffrey e Kateryn. Ele é um maluco ela, sua psiquiatra.
Os 12 Macacos é uma organização misteriosa que, para Cole, espalhou o vírus que dizimou o mundo em 1996. O chefe dessa organização é Brad Pitt.
Mas o filme não é sobre vírus e viagens no tempo. O filme é sobre insanidade. Várias vezes eu me perguntei se Cole estava louco, ou tudo era verdade. Muitas vezes Cole se perguntou o mesmo, e em alguns momentos ele decidiu que estava, na verdade, louco.
A psiquiatra acaba acreditando em Cole, e também coloca em cheque sua própria sanidade. Já no caso de Jeffrey, ele é insano. E representa o papel maravilhosamente. Na primeira vez que ele se encontra com Cole, no hospício, ele está em uma crise de super atividade genial.
Nos faz pensar em que pé estamos com nossa própria sanidade, no que é ser uma pessoa “normal”, como é complicado entender a si mesmo e se adaptar à sociedade. O como é complicado parecer “igual”.
Assistir os 12 Macacos é uma experiência genial quando se atinge uma idade apropriada para se perguntar, exatamente, o que diabos estamos fazendo de nossas vidas. Ou quem somos, perante os outros e nós mesmos.
Dia desses di um quadrinho mostrando como a pessoa podia ser diferente em casa, na com os amigos e sozinho. Somos máscaras. Somos fantoches, produtos da sociedade e das convenções. Se sofremos, é por que achamos que o que fazemos está errado. Se estamos de saco cheio, vestimos um de nossos capuzes com um sorriso nele, e mostramos o nosso “melhor”.
E no final, somos todos insanos, pirados e  falsos, vazios, mentirosos e dependente da opinião dos outros...sim, o filme me deixou deprimida...mas daqui a pouco passa e eu vou sorrir, afinal, não quero que ninguém me considere “a chata” e não quero que ninguém pense mal de mim...

The Rock rocks (Alcatraz)

Abrams: Totalmente pegava
 Eu tive uma experiência orgástica ontem à noite.
Não, não tem nada haver com sexo, afinal, quem em sã consciência gostaria de fazer sexo com o Hurley, de Lost?
Minha experiência orgástica foi, novamente, proporcionada pelo J.J. Abrams, e aí eu me pergunto como: um cara pode ser tão awesome? (Alias, Fringe, Person Of Interest, Lost, Super 8, Missão Impossível 3...)
Alcatraz é uma prisão e quem não souber disso agora, pode parar de ler o post e ir assistir Big Brother. O resto que me acompanha a partir daqui deve saber uma coisa vergonhosa a meu respeito, mas que não posso esconder. A primeira vez que me lembro de ter ouvido falar na prisão de Alcatraz foi em um livro do Sidney Sheldon. Na verdade, pensando bem, aprendi bastante com o Sheldon, sei o nome de todas as marcas de roupas e jóias famosas e começos todos os hot points dos anos 80...mas enfim, a primeira vez que li sobre Alcatraz a descrição foi a seguinte: essa prisão foi construída em uma ilha e os prisioneiros tomavam banho de água quente, pois, se tentassem escapar, não conseguiriam atravessar a água gelada. Nem sei se isso é verdade, mas daí nasceu minha paixão por San Francisco e por Alcatraz. (a paixão por San Francisco cresceu quando assisti Full House e descobri as ladeiras da cidade), e agora nós temos o lindo do Abrams para nos dar um gostinho de Alcatraz.
Alcatraz foi fechada em 1963 , tanto na série como na realidade,e seus detentos supostamente, transferidos. Na verdade todos os 256 prisioneiros E os 46 guardas que estavam na prisão no dia 21 de março de 63 desapareceram, sem deixar rastros.
O que acontece é que há um assassinato, em 2012 de um homem que foi vice-diretor de Alcatraz e a detetive esperta e bonita começa investigar. Ela é afastada do caso pelo misterioso Emerson Hauser interpretado por ninguém menos que Sam Neal (aquele dos dinossaurinhos) toma o caso de suas mãos, representando a policia federal. A detetive Madsen consegue uma digital da cena do crime, mas o arquivo do dono da digital está lacrado. No São Google ela descobre que a digital é de um prisioneiro de Alcatraz e vai atrás de um Doutor especialista na prisão para saber mais sobre o cara. E aparece o Hurley(!).  Sim, o gordinho de Lost, que eu lembro de chamar todo mundo de DUDE e roubar comida. Aqui ele é um super inteligente Diego Soto, e vai ajudar Madsen em suas andanças pelos mistérios de Alcatraz.
Enfim, dei bastante spoiler ai em cima, e não vou continuar, mas tenho que dizer por que gostei tanto da série. Ela tem ritmo. Um ritmo que eu não vejo faz muito tempo. É uma série de ação, com elementos de ficção cientifica e muito mistério, e pelo menos esse piloto me deixou de queixo caído, pois não me deu um minuto sequer para respirar. A segunda coisa que me chamou a atenção foi a forma como os personagens se encaixam em seus lugares. É tudo clichê, mas de um jeito bem utilizado. O especialista gordinho que ajuda a detetive bonita em uma missão em que ele é inútil, pelo menos ao meu ver, já que os conhecimentos que ele tem parecem ser menos profundos do que de Hauser.
Por fim, é um seriado de Abrams...podemos esperar coisas boas dele e de sua mente perturbada.