sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Marcos Rey, meu amigo de infância


Acho que ultimamente esse blog tem se tornado mais pessoal.
Isso é legal, afinal são as minhas opiniões que vão aqui, então...
Estava voltando do trabalho e pensando em todos os livros que eu li. Tenho um pequeno arquivo disso aqui , mas no Skoob não estão os livros de banca de jornal, a maioria dos que li na infância e adolescência e mitos que não achei cadastrados. Não li só 500 livros. Acho que li pelo menos o triplo, mas alguns ficaram na minha memória e estarão comigo para sempre e é de um autor que fez isso por mim que quero falar hoje.
Mas para que eu fale dele, tenho que falar um pouquinho da minha pré-adolescência.
Bom, eu sempre gostei de livros. Mesmo meus pais sendo pessoas humildes, sempre tinham um livro ou uma revista num canto para ler quando nós- os três filhos pestes- davam sossego. Lembro muito do meu pai lendo Harold Robbins, minha mãe Sidney Sheldon.
Então eu nunca reclamei quando tinha que ler algo para a escola, minha mãe sempre me ajudava e eu sempre fui boa em interpretação. Mas não era uma leitora voraz até que meus pais se separaram. Eu nunca vou dizer que isso foi traumatizante pra mim, mas nessas minhas caminhadas (caminhar e fazer academia te deixam com tempo demais pra pensar) percebi que comecei ler pra valer quando meus pais se separaram. Comecei pegar minha carteirinha da biblioteca e retirar três ou quatro livros por semana, às vezes duas vezes na mesma semana, e passava todo o meu tempo livre sentada em um barranco que tinha em frente de casa, lendo.
E eis que chego ao autor de quem eu queria falar, e que eu amo de paixão: Marcos Rey.
Minha irmã tinha uma amiga invisível quando era pequena, e eu tinha marcos Rey.
Edmundo Donato adotou o pseudônimo Marcos Rey, segundo ele, porque quando era pequeno queria ser rei.  Foi colunista da Veja, tradutor e (chique demais) escritor de pornochanchadas!
Mas o que eu amava no Marcos Rey eram os livros da coleção Vagalume. Ele escreveu vários livros para a coleção (aliás, li a coleção toda), mas os meus preferidos eram os que contavam as aventuras de Léo, Gino e Ângela. Léo era o menino trabalhador, Ângela a menina rica e Gino o gênio cadeirante. Eles moravam no Bixiga (eu até hoje sou encantada com o bairro) e combatiam criminosos!
O primeiro livro que li dele foi O Mistério do Cinco Estrelas. No Emperor Park Hotel Léo encontra o corpo de um estrangeiro e tem que descobrir com a ajuda dos amigos quem é o assassino.
Depois dessa aventura ainda vieram O rapto do Garoto de Ouro, Um cadáver ouve rádio e Um rosto no computador todos com a mesma turma. São livros divertidos, leves, mas com uma pontinha de sangue.
Quem quiser uma lista completa dos livros do Homem, acesse a Wiki e divirta-se.
Mas os infantis não foram os únicos livros de Marcos Rey que li. O romance que mais gostei dele (e um dos meus preferidos de todos os que li) é Café na cama. Conta a historia de uma moça em três partes. Quando ela é uma vendedora de loja assediada pelo patrão. Quando se torna prostituta e depois, apresentadora de TV. Gosto do livro por que ele é forte em muitos aspectos. A narrativa é ótima e profunda, você é capaz de entender todas as decisões de uma moça que sai da vida dura para se tornar garota de programa. O livro é genial!
Há também Memórias de um Gigolô, sobre um menino que é criado em um puteiro e depois de torna produto do seu meio. Poxa, quero fazer uma análise sociológica sobre esses dois livros um dia!
Há outras boas histórias, como A arca dos Marechais e Malditos paulistas. Enfim, uma infinidade de boa literatura em um autor brasileiro.
Agradeço ao Marcos Rey por ter sido meu amigo de infância e penso que um dia poderei fazer o mesmo por outras pessoas. Preencher um espacinho vazio dentro delas com meus escritos.
Em tempo: Marcos Rey morreu em 1999 e suas cinzas foram espalhadas de helicóptero por São Paulo. Fim digno de um grande contribuinte para a cultura da metrópole.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Super 8


Infância retratada em novo filme se Abrams
Domingo assisti ao novo filme de Steven Spierberg e JJ Abrams.
Confesso, ando meio decepcionada com as minhas próprias expectativas com novas produções. Posso falar com clareza disso depois de assistir Falling Skies, dar graças ao meu bom Deus pela first season ter acabado e desejar, por tudo que há de sagrado, resistir à segunda, já que a primeira foi uma tortura em 10 atos.
Masssssssss, Super 8.
Quem acompanha isso aqui sabe que eu sou a fã numero 1 de Stephen King. Esses dias sonhei que estava participando de uma coletiva, em que ele era o entrevistado, e a primeira pergunta era minha!!!! Nem lembro o que perguntei, mas foi emocionante.
Bom, falo do King, antes de falar de Super 8 por que se há uma coisa que SK fez com maestria, em que ele foi lindo, foi em retratar a convivência e amizade entre crianças.
Vide IT. 
Li IT umas três vezes, é um puta livro longo, mas que mostra como as pessoas podem se unir em uma situação difícil para fugir de outra mais difícil ainda. No caso de IT as crianças enfrentam um monstro para poder fugir dos problemas que tem em casa. Isso me fez perceber que todos temos nossos problemas e que a melhor coisa pra isso é a amizade. E nada mais puro que amizade entre crianças.
Bom, quem quiser saber mais sobre IT, esperem um post detalhado.
Essa não é a única obra do mestre do terror a tratar de amizade infantil. Não vou falar de todas, tem um post sobre o King aqui, mas existe um livro, depois transformado em filme em que King narrou a historia de um grupo de amigos que saem um dia em uma caçada por um corpo atropelado na linha do trem. Alguém aí já viu/leu “Conta Comigo” (Stand by me)? É uma história maravilhosa do livro Quatro Estações.
Enfim, esse tipo de história me lembra minha infância, e Super 8 faz isso tão bem quanto o fez “Goonies”. É a história sobre amigos que querem fazer um filme de zumbis. Um dos garotos perdeu a mãe, o outro tem milhares de irmãos, um é piromaníaco, o outro é uma porta de tão burro e como filme do Steven Spielberg, não pode faltar uma garota Fanning, no caso Elle, a Irmã mais nova e com olhos menores que Dakota.
O filme tem alienígenas, experimentos militares, descarrilamento de trens e dramas familiares, não necessariamente nessa ordem. E tem uma coisa melhor: entrosamento.
Os diálogos das personagens são simplesmente geniais. São briguinhas bobas de crianças que me fizeram rir. São expressões infantis que causam nostalgia e tem um rapazinho que chama todo mundo de “pussy”, o que eu achei mais do que hilário.
Esse filme é uma homenagem à obra se Spielberg, I guess. Retrata muito de Contatos Imediatos e Goonies...
Goonies: Best scene ever

São quase duas horas de filme que fazem por nós - dos anos 80 - um milagre: reviver um dia de vagabundisse na frente da TV assistindo Sessão da Tarde. Voltei à infância por duas horas e adorei cada minuto.
Em tempo, Super 8 é o modelo da câmera que as crianças usam para fazer seu filme sobre zumbis, que é apresentado nos créditos e totaly worth.
Em tempo 2...acabei de perceber que o pai do personagem principal é o Gary do Early Edition (abafa)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sobre a "Autora"


Bom, tudo no blog é sobre mim, mas entendi que falta intimidade quando escrevo.
Resolvi escrever sobre mim e minha mente começou divagar. Porra, quem sou eu?
First thing about me...adoro livros. Acho que é assim que eu sempre me apresento, como as pessoas me vêem. Eu sou uma pessoa de livros.  Gosto do cheiro, do jeito como eles ficam enfileirados nas prateleiras, da maneira como eles tomam vida e cortam nossos dedos quando são novos, ou nos dão alergia quando são velhos.
Adoro abrir um livro e viver uma história que nunca seria a minha. Sou fã dos autores que conseguem nos fazer se apaixonar por certos personagens, torcer em certas situações.
Além dos livros, adoro a cozinha de casa. Cozinhar é uma paixão, mas não cozinhar por obrigação. Planejar um cardápio de domingo para os amigos, executá-lo, ver as pessoas apreciando... é o máximo. É uma coisa que não faço muito, principalmente porque sou uma pecadora e meu pecado preferido é a preguiça, mas amo cozinhar.
Como mãe, não tenho muita coisa a dizer. Não me acho a melhor mãe do mundo, não sei nunca onde estou errando ou acertando, mas acho meu filho foda. O Eduardo é bonito, inteligente, tem espírito de liderança e puxou pra mamãe nisso e na chatice generalizada.
Nunca foi muito fã de animais até ter o meu cachorro. Meu cão me fez perceber quantos outros existem no mundo, e me faz pensar que nós, seres humanos, somos bobos e cruéis. Todos os dias sonho em ter novos filhotinhos em casa, que vão me dar tanta alegria quanto meu Wilson, e ai lembro da dor de cabeça, sapatos e livros roídos e me lembro que eu não posso me dar o luxo de entrar em uma situação que não posso controlar.
Adoro vinho. Tomar uma taça de vinho sozinha em casa me dá a sensação de que não preciso de ninguém no mundo.
Às vezes (a maioria delas) me sinto como se ainda fosse uma adolescente. Minhas responsabilidades não me pesam. Faço o que tenho que fazer sem culpa ou arrependimento do que passou ou medo do que vai vir.
Sinto sempre que vou receber uma grande mudança na minha vida, e me sinto especial.
Me acho engraçada e feliz. Às vezes eu sei que isso não é verdade, que nem sempre podemos agradar todos, nem nós mesmos, mas mano, eu tento.
Adoro trabalhar, principalmente quando eu posso fazer algo de novo no meu dia. Adoro inventar, pegar no pé de todo mundo até as coisas ficarem do jeito que eu quero, e amo saber que as pessoas me admiram por isso.
Odeio fazer compra sozinha. Ir ao mercado sem um homem é pra mim uma admissão de derrota. Ter quem guardar as compras depois é pior ainda. Acho que é a única coisa que me faz me sentir uma verdadeira fracassada no quesito romance. O restou eu consigo superar.
Não gosto de experimentar roupas em lojas, me irrita. Se eu pudesse levava tudo pra casa, mas como não é possível, sempre que vou comprar uma calça nova, chamo uma vendedora pra dar palpite, e elas às vezes são bem cruéis.
Me sinto gorda 50% do tempo e idiota porque sei que não sou, nos outros 50. Tem dias em que acordo me achando feia, e isso acaba com minha auto-estima por um bom tempo. Tem dias que acordo, me olho no espelho e penso: Porra, eu não podia ser mais gostosa.
Aprendi me vestir-maquiar-arrumar depois de burra velha. Nunca dei importância a isso até começar trabalhar com um bando de meninas frescas (que eu amo!!). Hoje sou quase tão fresca quanto elas.
Ganhar o dia pra mim é quando alguém olha pro meu filho e pergunta se é meu irmãozinho (isso acontece muito, graças a Deus). Me sinto infinitamente mais jovem que os meus quase trinta.
Sou feliz.
Tenho problemas de grana, com familiares e de relacionamento, mas não deixo nada me derrubar mais do que cinco minutos por dia. Nem vale a pena.
Sou chorona. Se você conhece alguém chorão, potencializa isso muuuuuuuuuuito e pode começar ter uma idea de quando eu choro. Deixei de assistir comédias românticas por isso.
Minha mente é mais fértil que qualquer outra. Qualquer coisa me inspira a pensamentos insanos. Tive medo de ser doida algumas vezes na minha vida, e ainda acho que sou só uma esquizofrênica funcional.
Adoro conversar e, infelizmente, falo da minha vida pra todo mundo. Ser um livro aberto é uma droga!! Mas não consigo me controlar.
Amo meu melhor amigo como se ele fosse a única pessoa a quem eu pudesse recorrer, por isso recorro tão pouco a ele. Ele sempre me fala a verdade e isso é uma bosta.
Tenho muitos amigos. Gente, como eu tenho amigos!! Amo cada um deles - muito, e agradeço por tê-los. Meus amigos próximos e queridos são parte da minha família. Tenho irmãs, irmãos e mães por ai. Sei que tenho alguns amigos que vão durar para sempre, independente das decisões que eu tome.
Dou um valor maior à amizade por que sou uma pessoa de trato difícil, sou chata e quero ter razão sempre.
Escrevo pra caralho. Não estou dizendo isso para aparecer. Só tenho um talento que Deus me deu, e não o aproveito por pura preguiça.
Acredito em Deus. Sei que Ele tem planos grandiosos e agora, depois de tanta resistência, sei que estou incluída neles.
Falo muito palavrão, e sei que as pessoas ficam um pouco chocadas. Me desculpem, sou assim e não vou mudar para agradar ninguém.
Acredito no amor, acima de tudo. Acho que o amor muda as pessoas para melhor, traz felicidade e alguns cabelos brancos também. Poder dar seu amor para alguém que antes não tinha nenhum vinculo com você e quase ganhar na loteria.
Odeio televisão aberta, cochicho e gente burra. Aprendi amar quem eu não gostava, sei ouvir e sou extremamente fiel a quem eu amo. Distribuo amor (e ódio algumas vezes). Tem algumas pessoas de quem realmente não gosto, maaaaaaas...gosto de pensar que o problema são elas, não eu...(sei que isso não é 100% verdade).
Gosto de me sentir protegida. Odeio me sentir usada.
Odeio essa coisa feminina chamada manipulação, mas a pratico por instinto às vezes.
Quero viver coisas diferentes, aventuras e amores. Por outro lado, quero entrar na igreja de branco e fazer juras de amor.
Acredito no amor que dura para sempre, acredito na bondade humana e no poder de dizer não.
Odeio reality show, Paulo Coelho (porra ele é um alquimista, transformou merda em ouro) e essa ideia cretina de que só se pode ser feliz com dinheiro. Odeio a reforma ortográfica da língua portuguesa (meu Word está desatualizado) e odeio sentir sono e não poder dormir. 
Adoro comer porcaria, odeio sol, adoro piscina. Adoro filmes musicais, Bon Jovi (estou ouvindo agora) e beijo roubado.
Sou chata, prepotente e metida. Sou honesta, boa e inteligente.
Sou uma caixa de surpresas, uma incógnita, uma idiota de marca maior. Adoro ler porcaria, assistir porcaria e faço um monte de besteiras. Sinto saudades do meu pai que morreu, de uma relação que nunca tive de verdade com minha mãe, sinto saudades da minha irmã que mora longe e sinto falta de alguma coisa que ainda não sei o que é.
Gosto da ideia de me sentir especial, mesmo que isso seja uma grande idiotice e sei, no fundo, que sou a melhor e mais decente pessoa que eu posso ser. Quero que Deus me proteja e me guarde e quero ser tranqüila e sossegada ao invés de agitada e doida.
Quero ter coragem de postar esse texto e dizer que já estou com três taças de vinho na cabeça no momento. E que independente de quem eu sou, do que eu fiz e do que me fizeram, eu amo muito ser eu. Amo muito tudo isso.
Amém.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Namore uma garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

quarta-feira, 27 de julho de 2011

White Collar


Faz um tempo que não escrevo aqui, ando sem inspiração e sem nada a dizer.
A verdade é que eu mergulhei em uma série nas últimas semanas que A-D-O-R-E-I, mas toda vez que ensaiava escrever sobre ela, eu travava, afinal, não tinha visto inteira.
Agora eu vi. =]
O nome é Withe Collar, que foi traduzido como “Crimes de colarinho branco”. Então ta. Não vou entrar no mérito da tradução dos nomes dos seriados. Não de novo.
White collar conta a história de Neal Caffrey, golpista. Esse é ele: 



Já deu pra perceber um dos porque de se gostar da série (abafa). Bom, mas Neal foi preso depois de muita perseguição mundo afora, e quando faltam apenas dois meses para que ele pague a pena, sua namorada Kate resolve terminar o namoro e ele foge para encontrá-la.  A trama da primeira temporada é amarrada em volta desta busca. Enfim, quando Neal chega a casa de Kate, ela não está, então ele retorna para a cadeia, preso pelo agente do FBI que o perseguiu desde sempre, e que o conhece melhor que ninguém, Peter Burke.



Vou falar sobre o Peter mais lá embaixo. Enfim, Peter e Neal fazem um acordo e Neal sai da cadeia com uma tornozeleira localizadora, para ser consultor no FBI no departamento de Burke: estelionato. E ai começa a história.
Peter é um agente excelente, com uma boa equipe e Neal é a peça que faltava para que o Bureau resolva todos os crimes que caem na mesa de Peter.
Por que eu gosto da série?
Primeiro, ela se passa em Nova York. Não o lado sujo e feio da cidade, como as séries geralmente retratam. Nem o lado boêmio. Nova York de White Collar é a cidade rica, os grandes negócios, as ótimas festas e principalmente a picaretagem. Em todos os episódios há um caso para ser resolvido, e nós podemos ver como Neal preparava e executava seus golpes, quando ele explica para Peter o que os vilões estão fazendo.
Outra coisa que eu gosto muito na série é a relação de Peter com sua esposa, Elisabeth:



Eles são fofos juntos. Acho que é o casal mais bem retratado no quesito companheirismo de todas as séries que eu já vi. O amor dos dois é muito bem retratado, pricipalmente quando Peter fala sobre sua honey. Eu nunca gostei muito da atriz, Tiffani Thiessen, porque ela fez a Valerie do Barrados no Baile e era uma verdadeira puta, mas passei a adorar a atriz como Elizabeth.
A última razão para se amar White Collar é o Mozzie.


Ele é um trapaceiro, um grande golpista, mas também é um cara de bom coração. Mozzie se junta à Caffrey para procurar Kate na primeira temporada e quando percebemos, está ajudando Peter a cuidar de Caffrey. Mozzie chama os agentes do FBI de "suit" e Elizabeth de Mrs. Suit. **
Não dá para definir qual é o estilo da série. Eu nunca vi tanto sol em Nova York quanto neste seriado. Existe muito humor, principalmente quando Peter é obrigado assumir identidades fora da lei para se infiltar nos casos e se diverte com isso.
Há muita doçura nas relações de El e Peter, e muito respeito e companheirismo entre Neal e Peter. É uma série que vale à pena.
No momento ela está no meio da terceira temporada. E contando.


Não tem como não amar.**









sábado, 18 de junho de 2011

Receitas de bolo e Frankenstein

As pessoas em geral me consideram uma grande leitora, já que tenho sempre um livro na mão. Alguns puxam minha orelha por ser apaixonada por certos gêneros um tanto quanto repreensíveis, como o terror e o policial moderno, e eu tenho uma quedinha nada saudável por Bestsellers, mas tenho que dizer que foi com eles que comecei minha escalada de leitora e que foram os LIVROS MAIS VENDIDOS DA SEMANA que me deram o dom que eu tenho:  minha super abstração. =]
Estou dizendo tudo isso antes de entrar em um assunto muito interessante no universo dos Bestsellers, pelo menos em minha opinião de leitora, que são as fórmulas. Existem livros por ai ensinando a escrever livros, e eu acabo sempre pensando que muitos romances que fizeram sucesso e dinheiro até hoje foram feitos como são feitos os bolos nas padarias: através de receitas. Posso citar uns 30 escritores aqui, mas vou pisar em um terreno meio pedregulhos por que vou usar o Frankenstein para explicar os livros do Sidney Sheldon e da Danielle Steel. (sinto um sorrisinho de alguém do outro lado do PC, certa?).
Ok.
Imaginem uma mulher que foi humilhada, traída, mal amada – todas aquelas coisas que temos medo que nos aconteça. Imagine que fosse você essa mulher (ou esse homem – se bem que homens nunca são 100% vitimas). O que você mais desejaria era dar a volta por cima e quebrar tudo, certo? É essa a receita que os bestsellers vêm usando desde sempre para venderem como sorvete em um dia quente. E é essa a fórmula que Sidney Sheldon usou em TODOS os seus livros e que madame Danielle Steel usou e abusou, de forma mais discreta.
É mais ou menos isso que acontece em Frankenstein (não comecem jogar pedras). O monstro de Frankenstein é a mulher, ele foi humilhado, aterrorizado, entristecido e abandonado (eu tenho uma tremenda simpatia por ele). Ele aprendeu tudo sozinho, desde se esconder até ler e escrever. Ele “nasceu” com bons sentimentos, mas tudo foi se deturpando em sua mente até que ele começou desejar vingança. Só que isso só aconteceu quando ele descobriu que estava sozinho.
Qualquer semelhança é MERA CÓPIA.
Se o monstro fosse uma moça bonita, o final provavelmente seria feliz e bonitinho. O que atrapalhou a criatura foi ele ser feito a partir de pedaços de corpos de outras pessoas. =]
Dizem que esses romances bestseller água com a açúcar são histórias de superação e por isso elas atraem tantos leitores. Isso não é verdade absoluta. Os fãs desse tipo de leitura também querem ler as histórias e se sentirem no lugar dos personagens quando eles chutam algumas bundas. E ficam ricos, claro.
Por isso decidi que eu vou, by myself, escrever um pequeno romance receita de bolo. Preparados?

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu quero


Tenho que confessar, às vezes eu choro
Motivo: medo do tédio.
Não vou entrar no âmbito pessoal, mas vou dizer que meu medo maior é ficar a vida inteira desse jeito. Ir do trabalho pra casa, encontrar os amigos, namorar e passar um tempo com a família são coisas boas, mas e o resto.
EU QUERO MATAR UM ZUMBI.
Pode rir, mas “matar um zumbi” é a melhor maneira de expressar o que estou sentindo. Quero ter uma vida de risco, perigo e aventura às vezes.
Queria ter um revolver e dormir com ele debaixo do travesseiro e fazer todas aquelas poses estranhas que as pessoas nos filmes fazem quando estão carregando um revolver, ou invadindo um lugar qualquer.
Quero fugir de bandidos, usando motos super potentes e jet ski (olhos brilham). Também quero pousar um avião.
Quero ser interrogada pela policia e poder guardar os segredos enormes que eu sei e que poderiam levar vários bandidos para a cadeia.
Quero sentir medo de dormir na minha casa nova, por que ouvi uns barulhos estranhos e quando fui investigar a historia da casa descobri que uma família inteira foi assassinada pelo pai.
Quero ser salva de um incêndio por um cachorro, e ser bombeira, do tipo que fica conversando com a vítima enquanto os outros bombeiros tentam remove-la dos escombros.
Quero ter um quadro de vidro onde possa pendurar as fotos, mapas e todas as pistas de um assassino em série, ai quero olhar praquele quadro um dia e perceber todas as peças se encaixando, e descobrir que o cara que anda matando por aí é o dono da loja de doces.
Quero que meu carro pare no meio de uma estrada deserta e (1) alienígenas aparecessem, (2) caipiras deformados tentassem me sequestrar (3) um monstro peludo me vigiasse entre as arvores.
Quero ser multibilionária, fretar um iate cheio de gostosas e enquanto a festa estiver rolando, eu sair pra cumprir uma missão como super heroína.
Quero me infiltrar em uma gangue e no final descobrir que eles se tornaram uma família pra mim, e eu não posso destruí-los.
Quero por fogo em um posto de gasolina, dar um tiro na testa de um criminoso e operar um satélite.
Quero ser um super gênio que consegue utilizar suas habilidades para salvar o mundo dentro de uma organização secreta do FBI que é de conhecimento único e exclusivo Do Diretor (com letras maiúsculas mesmo)
Quero voltar no passado e ver os dinossauros, quem sabe o dilúvio. Depois quero desvendar os segredos das pirâmides e dos Iluminatti. Quero inventar uma receita que faça com que eu seja uma empresaria de sucesso, respeitada pelo meio culinário, como uma deusa.
Quero fazer o mesmo com remédios.
Quero bombardear um pequeno pais (mas sem matar civis, porque quero ser foda).
Quero ir a um cassino em Las Vegas e quebrar a banca com minhas super habilidades matemáticas.
Quero que a HBO e a FOX façam mais seriados bacanas pra eu viver através deles e dos livros que ando lendo.
Amém.